A influenciadora Káh Felipe morreu nesta sexta-feira (24), em Fortaleza, após lutar contra um câncer causado pelo Xeroderma Pigmentoso (XP), doença genética rara. Pouco antes da morte, amigos compartilharam registros feitos no hospital, onde ela permaneceu internada durante as últimas semanas de vida.
As últimas imagens de Káh Felipe publicadas nas redes sociais ganharam um significado ainda mais comovente neste sábado (25). A influenciadora cearense morreu aos 36 anos, na última sexta-feira, em Fortaleza, após enfrentar um câncer provocado pelo Xeroderma Pigmentoso (XP), doença genética rara que a acompanhava desde a infância.

Os registros, compartilhados por amigos e familiares durante o período de internação, mostram Karine de Sousa — nome de batismo da influenciadora — no leito hospitalar, cercada por pessoas próximas e recebendo apoio enquanto seguia em tratamento. As fotografias passaram a circular novamente após a confirmação da morte e emocionaram milhares de seguidores.
A notícia foi divulgada no perfil oficial de Káh Felipe, onde ela reunia mais de 750 mil seguidores e dividia a rotina de tratamento, momentos em família e mensagens de fé.
“Nossa guerreira cumpriu sua missão e deixou um legado de força, coragem e, acima de tudo, de fé. A fé era a palavra que melhor a definia. Ela acreditou até o fim e lutou com todas as suas forças, sem nunca perder a esperança”, informou a publicação.
Káh deixa o marido, Edmilson, e quatro filhos.

Internação marcou os últimos dias da influenciadora
A influenciadora estava internada havia 18 dias depois de procurar atendimento médico por causa de fortes dores e um inchaço na perna esquerda. Ela passou por diferentes unidades de saúde de Fortaleza, entre elas o Hospital Geral de Fortaleza e o Hospital Universitário do Ceará.
Durante a internação, tratava uma pneumonia e outras complicações relacionadas aos efeitos colaterais da quimioterapia.
Nos últimos meses, o quadro clínico havia se agravado após a confirmação de metástase. A doença atingiu ossos, fígado e pulmões, provocando dores intensas.
Para controlar o sofrimento, Káh fazia uso de morfina a cada quatro horas. Quando a medicação deixava de fazer efeito, precisava ser encaminhada ao Instituto do Câncer do Ceará (ICC), onde recebia cuidados paliativos.
Ela própria passou a se apresentar nas redes sociais como “paciente paliativa em fase terminal”, após receber dos médicos a estimativa de que teria entre seis meses e dois anos de vida.
Marido emocionou seguidores com desabafo
Ao longo do tratamento, o marido de Káh Felipe também passou a compartilhar parte da rotina da família. Em um dos relatos que mais repercutiram nas redes sociais, Edmilson descreveu a dificuldade de acompanhar o sofrimento da esposa.
“Eu tô vendo a mulher mais forte desse mundo desmoronar, chorar, se perguntar por quê. Eu fico revoltado. Eu não sei o que fazer. Eu não posso fazer nada a não ser dar o meu apoio e ser o mais forte que eu conseguir. Muitas vezes, em vez de ser a força, eu sou a fraqueza, porque eu choro mais do que ela.”
A declaração foi amplamente compartilhada pelos seguidores, que acompanharam a luta da influenciadora durante os últimos meses.
Doença começou ainda na infância
Os primeiros sinais do Xeroderma Pigmentoso surgiram quando Káh Felipe tinha apenas três anos. Inicialmente, a família acreditava que as manchas na pele fossem apenas sardas. Com o passar do tempo, porém, os sintomas evoluíram e começaram a surgir tumores cutâneos, consequência da doença genética.
Nas redes sociais, ela transformou a própria rotina em uma forma de conscientização, mostrando os desafios impostos pela doença rara e incentivando outras pessoas a buscarem diagnóstico e tratamento.
O que é o Xeroderma Pigmentoso?
Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), o Xeroderma Pigmentoso (XP) é uma doença genética extremamente rara que provoca uma sensibilidade intensa à radiação ultravioleta.
Por causa de uma falha no mecanismo de reparo do DNA, qualquer exposição ao sol aumenta significativamente o risco de desenvolvimento de câncer de pele.
A doença não é contagiosa e pode atingir homens e mulheres. A estimativa é de aproximadamente um caso para cada 1 milhão de pessoas.
Além dos cuidados permanentes com proteção solar, alguns pacientes precisam passar por cirurgias para retirada de tumores e outros tratamentos específicos.
A SBD destaca ainda que pessoas com XP podem manter convívio social normalmente, desde que adotem medidas rigorosas de proteção contra a radiação solar.