As buscas por João Gabriel, de 5 anos, entram em uma nova fase após mais de 24 horas de operação em Araucária (PR). O Corpo de Bombeiros ampliou a área de varredura, intensificou as buscas em regiões de mata e cursos d’água e já descartou dois dos oito lagos mapeados. A Polícia Civil mantém o caso tratado oficialmente como desaparecimento, sem descartar nenhuma hipótese, enquanto uma denúncia sobre o possível avistamento do menino em outra localidade também passou a ser investigada.

João Gabriel desaparecido (Foto: reprodução)
João Gabriel desaparecido (Foto: reprodução)

As equipes de resgate continuam as buscas por João Gabriel, de 5 anos, desaparecido desde a manhã do último domingo (26), em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC).

Mais de um dia após o início da operação, o Corpo de Bombeiros reforçou a força-tarefa, ampliou o perímetro de procura para aproximadamente um quilômetro e intensificou as ações tanto em áreas de mata quanto nos lagos da região.

Foto: Arquivo pessoal.

Até o momento, dois dos oito lagos já foram vistoriados e descartados, enquanto a Polícia Civil mantém as investigações e informa que todas as linhas de apuração seguem em aberto.

A criança, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e com limitações na comunicação verbal, desapareceu após deixar a casa da família, situada em uma chácara, para ir até um banheiro localizado na parte externa da propriedade. Desde então, familiares, bombeiros e policiais trabalham de forma integrada na tentativa de localizar o menino.

Família iniciou buscas antes de acionar os bombeiros

De acordo com o Corpo de Bombeiros, João Gabriel foi visto pela última vez na manhã de domingo (26), por volta das 9h. Antes de comunicar oficialmente o desaparecimento às autoridades, familiares iniciaram uma procura por conta própria nas proximidades da propriedade. As equipes de resgate foram acionadas posteriormente e chegaram ao local por volta das 12h20.

“A família fez uma busca prévia. A gente começa a trabalhar sempre numa área mais próxima, que é o último local avistado, que no caso é a residência, aumentando o raio”, explicou o tenente-coronel Gabriel.

Força-tarefa reúne bombeiros, voluntários e policiais

As buscas tiveram início em um perímetro reduzido, nas imediações da residência da família, mas foram ampliadas gradativamente conforme o tempo passava e novas áreas precisavam ser verificadas. Atualmente, a operação cobre uma extensão de cerca de um quilômetro, considerada de difícil acesso devido às características do terreno.

A força-tarefa mobiliza aproximadamente 88 bombeiros, alunos da Academia Bombeiro Militar, cerca de 20 voluntários e agentes de diferentes órgãos de segurança, entre eles Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Rodoviária Federal (PRF), Guarda Municipal de Araucária e equipes da prefeitura.

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Equipe de buscas (Foto: Douglas Pimentel/Banda B)

Para reforçar a procura, são utilizados cães farejadores, drones equipados com câmeras termais, embarcações e equipes especializadas em buscas terrestres e aquáticas.

Na manhã desta segunda-feira (27), as equipes responsáveis pela operação direcionaram os esforços para a inspeção dos tanques de peixes localizados na área onde a criança desapareceu.

“Até o momento não achamos nada. Então, o nosso foco nesta manhã vai ser bater esses tanques de peixe. Assim que as equipes chegarem, vamos dar um foco maior nos tanques em que acreditamos que exista uma grande chance de ele ter entrado na água. Vamos focar bastante nessa busca aquática e também voltar aos pontos que já foram vistoriados durante a madrugada, com novas equipes”, relatou o major Hunzicker.

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Terreno de difícil acesso

De acordo com o Corpo de Bombeiros, a área onde João Gabriel foi visto pela última vez impõe grandes desafios às equipes de resgate. O terreno reúne diferentes características que dificultam a operação, como vegetação densa, áreas alagadas, trechos de difícil acesso, plantações e diversos pontos com acúmulo de água, incluindo lagos e tanques espalhados pela propriedade.

Diante desse cenário, as buscas precisaram ser divididas em várias frentes para garantir uma varredura minuciosa de toda a região considerada prioritária.

“É bastante coisa. A área tem muita mata, muita plantação, uma área bastante complexa”, afirmou o tenente-coronel Gabriel.

Segundo major Hunzicker, há áreas de lama, depressões com acúmulo de água e extensos trechos de vegetação. O porta-voz ressaltou que as equipes continuarão concentrando os esforços nas margens dos cursos d’água, no interior da mata e em outros locais estratégicos.

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Dois lagos já foram completamente vistoriados

As buscas em áreas alagadas fazem parte da operação desde os primeiros momentos do desaparecimento. Até a tarde desta segunda-feira (27), as equipes concluíram a inspeção completa de dois dos oito lagos existentes na região, eliminando esses locais das possibilidades consideradas pelas autoridades.

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João Gabriel desaparecido em Araucária (Foto: Douglas Pimentel/ Banda B)

Segundo o tenente-coronel Gabriel, cada área vistoriada e descartada representa um avanço na operação, pois permite concentrar os esforços nos pontos que ainda precisam ser analisados.

Enquanto isso, bombeiros especializados seguem ampliando a varredura nos demais lagos, tanques e outros locais com acúmulo de água, na expectativa de localizar João Gabriel.

Buscas por João Gabriel exigem estratégia especial

O Corpo de Bombeiros informou que as características de João Gabriel, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e com limitações na comunicação verbal, exigem uma abordagem específica durante a operação de busca. Por esse motivo, as equipes adotam protocolos adaptados para aumentar as chances de localização da criança.

De acordo com os militares, crianças com esse perfil podem não reagir aos chamados feitos pelos socorristas e, em determinadas situações, procuram permanecer escondidas ou em locais isolados. Esse comportamento faz com que a varredura seja realizada de forma ainda mais criteriosa, com atenção redobrada em toda a área percorrida.

“É uma vítima difícil para a gente, porque, por conta do autismo, ela não é colaborativa, não vai avisar onde está. Muito pelo contrário, ela tem a tendência até de se esconder”, explicou Gabriel.

Polícia Civil mantém investigação

A Polícia Civil acompanha de perto a força-tarefa e segue reunindo informações para esclarecer as circunstâncias do desaparecimento de João Gabriel. Até o momento, o caso continua sendo tratado oficialmente como desaparecimento, enquanto diligências e levantamentos são realizados paralelamente às buscas em campo.

Os investigadores informaram que nenhuma linha de apuração foi descartada. Dessa forma, todas as possibilidades permanecem sendo analisadas até que surjam novos elementos capazes de indicar o paradeiro da criança ou esclarecer o que aconteceu.

Suposto avistamento mobiliza equipes

Uma nova pista levou as forças de segurança a redirecionarem parte da operação de busca na tarde desta segunda-feira (27).

De acordo com o prefeito de Araucária, Gustavo Botogoski, uma criança com aparência física e vestimentas compatíveis com as de João Gabriel teria sido avistada na região de Capoeira Grande, localizada a aproximadamente 14 quilômetros do ponto onde o menino desapareceu.

Diante da informação, o comando da operação deslocou equipes do Corpo de Bombeiros, da Guarda Municipal, das polícias Civil e Militar, além de motociclistas que auxiliam nas buscas, para averiguar a ocorrência.

Polícia Civil aciona o Alerta Amber

Na tentativa de ampliar o alcance das buscas por João Gabriel, a Polícia Civil ativou o Alerta Amber, mecanismo que divulga informações sobre crianças desaparecidas diretamente para usuários do Facebook e do Instagram localizados em um raio de até 160 quilômetros de Araucária.

O sistema, criado nos Estados Unidos e posteriormente implementado em diversos países, entre eles o Brasil, é voltado à rápida divulgação de casos de desaparecimento, rapto e sequestro infantil. No país, a iniciativa é coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) em parceria com a Meta, responsável pelas plataformas digitais.

Por meio da ferramenta, os usuários recebem alertas contendo dados que podem auxiliar na localização da criança desaparecida. Quando disponíveis, as notificações também incluem informações que possam contribuir para a identificação de pessoas suspeitas ou de outros elementos relevantes para a investigação.

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