Adolescente que usou traje do exército nazista em festa de formatura das irmãs no RN afirmou que não tinha dimensão da gravidade do ato, pediu desculpas públicas e solicitou “outra chance”.
O adolescente de 13 anos que compareceu à festa de formatura das irmãs usando um traje semelhante ao do exército nazista alemão, durante a Segunda Guerra Mundial, falou publicamente pela primeira vez sobre o caso. Diante da forte repercussão negativa nas redes sociais, o garoto divulgou um vídeo nesta terça-feira (13) pedindo desculpas pelo episódio ocorrido na madrugada de sábado (11), em Mossoró (RN).
O vídeo foi publicado em uma página do Instagram com autorização dos pais, que não se pronunciaram oficialmente sobre o ocorrido. Nas imagens que circularam nas redes, o jovem aparece vestindo roupas semelhantes às da Wehrmacht, forças armadas da Alemanha nazista entre 1935 e 1945, além de realizar a saudação nazista “heil Hitler”.
O registro foi feito durante a festa de formatura organizada por alunos da Faculdade de Enfermagem e Medicina Nova Esperança (Facene), que repudiou o ato publicamente.
No vídeo de desculpas, o adolescente reconheceu a gravidade da situação e afirmou que não compreendia o impacto da escolha da fantasia. “Eu peço desculpas a quem se sentiu ofendido, quem se sentiu triste com essa situação”, disse.

Ele contou que adquiriu o traje em uma feira de Fortaleza (CE) e que acreditava se tratar apenas de “mais uma fantasia”. Segundo o garoto, ele costuma se fantasiar de personagens históricos e da cultura pop.
“Sempre gostei muito de me fantasiar de vários personagens históricos, como Napoleão, o próprio Jason ou Capitão América”, afirmou.
Ainda na gravação, o adolescente pediu desculpas à família e admitiu que a motivação para o ato foi a busca por atenção e popularidade nas redes sociais.
“Eu sempre quis ser importante, famoso”, declarou. Em seguida, completou: “Eu peço que me deem outra chance, pois eu estou errado, mas eu não sou um menino assim, eu sou um menino bom”.

Relembre o caso
O episódio aconteceu durante o cerimonial de formatura da Facene, organizado pela empresa Master Produções e Eventos em conjunto com os alunos. De acordo com a organização, o adolescente era convidado das formandas e chegou ao local acompanhado dos pais, após as 23h, vestindo roupas comuns.
Ainda segundo a comissão, ele teria trocado de roupa dentro do evento para fazer registros fotográficos com a família. A vestimenta passou despercebida por cerca de 2 mil pessoas presentes na festa, e os organizadores afirmam que só tomaram conhecimento do caso após a divulgação das imagens nas redes sociais.
Em nota, a presidente da comissão de formatura disse que os estudantes ficaram “estarrecidos” e que, se o fato tivesse sido percebido no momento, o jovem e seus responsáveis teriam sido retirados do local.
Crime previsto em lei
No Brasil, a apologia ao nazismo é crime, conforme prevê a Lei nº 7.716/1989. No entanto, como o envolvido é menor de idade, o episódio é analisado como ato infracional, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Empresa e faculdade se posicionam
A Master Eventos repudiou o ocorrido e reforçou que não tolera qualquer tipo de apologia a ideologias extremistas. “Não compactuamos, não toleramos e não aceitaremos esse tipo de conduta em eventos sob nossa responsabilidade”, afirmou a empresa.
Já a Facene informou que não possui vínculo direto com a organização da festa, por se tratar de um evento privado, mas declarou que irá reforçar orientações para evitar situações semelhantes.
“Tal manifestação é repugnante, afronta os valores democráticos, a dignidade humana e a memória das vítimas do nazismo”, destacou a instituição.
