A divulgação da lista de convocados para a Copa do Mundo sempre desperta debates táticos, mas os bastidores financeiros do torneio revelam uma estrutura de ganhos que poucos torcedores conhecem. Ao contrário do que muitos imaginam, os atletas que defendem o Brasil não recebem um salário fixo ou “cachê por jogo” da CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Durante o período do Mundial, o sustento financeiro dos jogadores continua dependendo exclusivamente de seus clubes, enquanto a Seleção foca em premiações milionárias por metas e títulos.

(Foto: Vitor Silva/CBF)
O verdadeiro ganho dos atletas na Seleção vem do bônus pelo resultado final. Em caso de conquista do hexacampeonato nos Estados Unidos, cada jogador do elenco vai receber uma premiação de US$ 1 milhão, cerca de R$ 5,2 milhões na cotação atual. A quantia repete o patamar oferecido pela entidade em edições anteriores do torneio. Se o Brasil levantar a taça, a CBF pode embolsar até US$ 50 milhões, cerca de R$ 260 milhões, pagos diretamente pela Fifa.
A comissão técnica também tem bonificações amarradas ao desempenho. O treinador Carlo Ancelotti, que recebe um salário fixo de R$ 5 milhões por mês no comando da Seleção, terá direito a um prêmio de 5 milhões de euros, Aproximadamente R$ 30 milhões, se garantir o título mundial. No caso dos atletas, se algum deles sofrer uma lesão enquanto estiver a serviço do país, a CBF assume a responsabilidade integral de arcar com os salários normais do jogador até que ele esteja totalmente recuperado para voltar a atuar por seu clube.

Italiano renova com a Seleção Brasileira até 2030 (Foto: Rafael Ribeiro / CBF)
Nos bastidores dos clubes, a convocação gera uma corrida financeira muito lucrativa. Através do Programa de Benefícios aos Clubes, a Fifa vai distribuir mais de US$ 355 milhões, algo em torno de R$ 1,8 bilhão nesta edição, um salto de 70% na comparação com a Copa do Catar, em 2022. A entidade máxima do futebol paga uma diária de aproximadamente US$ 11 criados por cada atleta liberado para o Mundial. Mesmo que a seleção do jogador seja eliminada logo na fase de grupos, o time de origem embolsa cerca de US$ 250 mil, mais de R$ 1,2 milhão, por competidor.
A grande novidade da Fifa para 2026 é que o programa vai repassar verbas inéditas também para os clubes que tiveram atletas envolvidos nas Eliminatórias, e não apenas na fase final da Copa. Times do Brasileirão como Flamengo, Cruzeiro, Botafogo e Santos aparecem no topo das projeções de lucro. O Flamengo, que liderou a arrecadação nacional no Catar com US$ 883 mil, pode quebrar a barreira dos US$ 2 milhões em compensações caso nomes do elenco ou atletas com histórico recente de convocações avancem até as finais da competição em julho.