Segundo a AGU, a liberdade de expressão não pode ser usada como justificativa para práticas ilegais que atentem contra direitos fundamentais e incentivem discriminação religiosa

AGU (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)
AGU (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

A Advocacia-Geral da União (AGU) determinou a retirada de uma publicação com teor de ódio religioso contra judeus e muçulmanos na plataforma X, (antigo Twitter). A medida foi tomada nesta quinta-feira (19),  após a identificação de um comentário considerado ofensivo e potencialmente criminoso, feito em resposta a uma notícia sobre um caso de injúria racial ocorrido em Barueri.

A solicitação foi enviada por meio de uma notificação extrajudicial, que resultou na exclusão do conteúdo dentro do prazo estabelecido de 72 horas. Segundo o órgão, a publicação apresentava indícios de incitação à violência e discriminação religiosa, o que pode configurar crime previsto na legislação brasileira.

Além disso, o material também contrariava as próprias diretrizes da plataforma digital, que proíbem manifestações que incentivem ataques ou intolerância contra grupos religiosos. A ação foi conduzida pela Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia, que atua na proteção de direitos fundamentais e no combate à disseminação de conteúdo ilegal no ambiente virtual.

AGU aponta violação aos limites da liberdade de expressão

A AGU destacou que o conteúdo removido ultrapassava os limites da liberdade de expressão e poderia configurar violação a direitos protegidos pela Constituição. Segundo o órgão, manifestações que incentivam discriminação ou violência não são protegidas pela legislação e podem ser enquadradas como crime, especialmente quando atingem grupos religiosos ou promovem intolerância.

A denúncia chegou às autoridades por meio do Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral, ferramenta vinculada ao Tribunal Superior Eleitoral que monitora e recebe notificações sobre conteúdos considerados ilegais ou discriminatórios, inclusive fora do período de eleições. O mecanismo tem como objetivo auxiliar no combate à disseminação de discurso de ódio e garantir o respeito aos princípios democráticos no ambiente digital.

Órgão atua no combate à desinformação

O caso ocorre em meio a um cenário de maior atenção das autoridades a episódios relacionados à intolerância religiosa. Recentemente, manifestações culturais e políticas também foram alvo de questionamentos e denúncias formais, ampliando o debate sobre liberdade de expressão, respeito à diversidade religiosa e os limites legais das publicações nas redes sociais.

A atuação dos órgãos públicos reforça a importância da fiscalização e da responsabilização em casos de conteúdo discriminatório, além de evidenciar o papel das plataformas digitais na remoção de publicações que violem as normas e a legislação vigente.

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