Uma ala do PL passou a defender a saída de Michelle Bolsonaro da presidência do PL Mulher após o vídeo em que ela afirmou ter sido “humilhada” por Flávio Bolsonaro. Dirigentes avaliam que o episódio agravou a crise interna, desviou o foco do caso envolvendo Jaques Wagner e pode até levar à reavaliação de uma eventual candidatura dela ao Senado pelo Distrito Federal. Valdemar Costa Neto tenta conter o desgaste e minimizar os efeitos da disputa dentro do partido.
Uma ala significativa do PL, incluindo lideranças importantes da legenda, passou a defender a saída de Michelle Bolsonaro da presidência do PL Mulher.
Segundo dirigentes do partido, a avaliação é de que a ex-primeira-dama deixou de cumprir um papel de unificação e passou a ampliar os conflitos internos.

Michelle, Flávio e Jair Bolsonaro – Foto: Reprodução/Redes Sociais
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“O papel dela seria o de agregar, mas está fazendo o oposto. Não vejo condições de seguir no comando do PL Mulher”, afirmou um dirigente da sigla ao O globo.
Vídeo aumentou desgaste interno
A pressão aumentou após o vídeo divulgado por Michelle na noite de quarta-feira (24), no qual ela afirmou ter sido “humilhada” e “maltratada” pelo enteado, o senador Flávio Bolsonaro.
Integrantes do partido consideram que a manifestação teve impacto político negativo.
Na avaliação de uma das lideranças, o episódio acabou desviando a atenção do noticiário sobre a saída de Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo no Senado.
“Ao invés de estarmos batendo bumbo no envolvimento de um quadro do governo no escândalo do Master, estamos resolvendo uma crise dentro de casa”, declarou um dirigente do PL.
Candidatura ao Senado também é questionada
Entre os integrantes do grupo que defende mudanças, há quem considere que a crise expôs uma suposta falta de maturidade política para a condução do PL Mulher.
Por isso, algumas lideranças também passaram a defender a reavaliação da possível candidatura de Michelle ao Senado pelo Distrito Federal.
Mesmo assim, a discussão ainda ocorre nos bastidores e não houve manifestação pública da direção nacional sobre qualquer mudança no comando do segmento feminino.
Valdemar tenta conter a crise
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, tem trabalhado para reduzir o desgaste.
Publicamente, ele afirmou que o problema será resolvido e evitou ampliar o conflito envolvendo Michelle e os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nos bastidores, porém, dirigentes reconhecem que a relação entre a ex-primeira-dama e parte da cúpula do partido vive um dos momentos mais delicados desde o início das articulações para as eleições de 2026.
Disputa por vagas no Ceará
O atrito mais recente envolve a definição das candidaturas ao Senado no Ceará.
Michelle defendia o nome da vereadora Priscila Costa para uma das vagas da chapa. Entretanto, o PL fechou acordo político para apoiar uma composição que reserva uma vaga aos tucanos ligados a Ciro Gomes e outra ao deputado estadual Alcides Fernandes, pai do deputado federal André Fernandes.
Dirigentes argumentaram à ex-primeira-dama que ela já havia conseguido impor suas preferências em outros estados, como Santa Catarina e Distrito Federal, onde apoiou os nomes de Carol de Toni e Bia Kicis.
Michelle mostra força dentro do partido
Apesar da pressão, integrantes do PL reconhecem que Michelle demonstrou ter influência real dentro da legenda.
Até a divulgação dos vídeos, a cúpula acreditava que ela acabaria aceitando, mesmo com resistência, a composição definida pela direção nacional.
O episódio mostrou que a ex-primeira-dama não atua apenas como uma figura simbólica no comando do PL Mulher e que sua participação nas decisões eleitorais continua tendo peso significativo dentro do partido.
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