Alicia Dudy Muller Veiga, médica formada pela Universidade de São Paulo, foi condenada a três anos de reclusão, em regime inicial semiaberto, por aplicar um golpe de R$ 192,9 mil em uma lotérica na Zona Sul de São Paulo. A decisão também prevê o pagamento de multa equivalente a um salário mínimo. O caso é distinto, mas se soma às investigações sobre o desvio de quase R$ 1 milhão do fundo da festa de formatura de uma turma de Medicina da USP.
A aluna de Medicina Alicia Dudy Muller Veiga, da Universidade de São Paulo, foi condenada a três anos de reclusão, em regime inicial semiaberto, por aplicar um golpe de R$ 192,9 mil em uma lotérica localizada na Zona Sul de São Paulo. A decisão também prevê o pagamento de multa equivalente a um salário mínimo.
A sentença foi proferida nesta quarta-feira (26) pela juíza Adriana Costa, da 32ª Vara Criminal do Foro Central da Barra Funda. Segundo a magistrada, há provas da materialidade do crime e indícios suficientes de autoria.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, Alicia tentou realizar apostas que somariam R$ 891,5 mil, mas efetuou um pagamento de apenas R$ 891,53, valor mil vezes menor que o montante real. A estudante alegou que teria feito transferências via Pix para quitar as apostas.
Quando os registros já alcançavam R$ 193,8 mil, a gerente da lotérica desconfiou da operação e constatou que havia apenas um agendamento de transferência, e não o pagamento efetivo. Funcionários pediram o comprovante, e Alicia apresentou um extrato no valor de R$ 891,50 antes de deixar o local com cinco apostas de R$ 38,7 mil cada.
As investigações apontam que, meses antes, a estudante vinha aumentando progressivamente os valores apostados, principalmente na Lotofácil. No total, segundo a polícia, ela teria apostado cerca de R$ 461 mil antes da tentativa frustrada de realizar apostas de valor ainda maior.
A Polícia Civil também apura se o dinheiro utilizado nas apostas tem origem no desvio de quase R$ 1 milhão do fundo da festa de formatura da turma de Medicina da USP. Nesse outro inquérito, Alicia já foi denunciada oito vezes por estelionato e uma por estelionato tentado.
O caso da formatura veio à tona após a comissão organizadora identificar o desaparecimento dos recursos, em janeiro. Mensagens atribuídas à estudante indicam que ela teria transferido o valor para uma conta pessoal. Perícias analisaram celulares, smartwatch, cartões bancários e um HD externo. Um carro de luxo alugado com o dinheiro dos alunos já foi devolvido.
A defesa de Alicia Dudy Muller Veiga foi procurada, mas não se manifestou até a publicação.
