O ritmo acelerado das metrópoles, associado ao excesso de informações, pressões profissionais e desafios da vida moderna, tem contribuído para o aumento dos casos de ansiedade e insônia no Brasil. Especialistas alertam para os riscos que a falta de descanso adequado traz à saúde física e emocional. Em entrevista exclusiva, a psicóloga Cintia Alves explica como identificar os sintomas, a importância de buscar ajuda profissional e estratégias práticas para enfrentar o problema.
Se você tem sentido dificuldade para dormir, acorda durante a noite com frequência e enfrenta dias marcados por preocupação constante, saiba que não está sozinho. A rotina intensa das grandes cidades, os altos níveis de exigência no trabalho e a sobrecarga emocional têm feito crescer os casos de ansiedade e insônia entre os brasileiros.
Dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que cerca de 40% da população mundial apresenta sintomas de ansiedade, e o Brasil lidera o ranking na América Latina. Além disso, segundo a Associação Brasileira do Sono, mais de 73 milhões de brasileiros sofrem com algum distúrbio do sono.
Para entender melhor esse fenômeno, conversamos com a psicóloga Cintia Alves, especialista em saúde mental e comportamento humano, que explicou como a vida urbana tem contribuído para esse cenário alarmante.
“O cérebro humano não foi programado para lidar com tantos estímulos simultâneos. Hoje, vivemos conectados o tempo todo, com cobranças profissionais, notícias negativas e excesso de informações. Isso gera uma hiperativação mental, que impacta diretamente a qualidade do sono e a regulação emocional”, explica Cintia.
A relação entre estresse, ansiedade e insônia
A psicóloga ressalta que a ansiedade e a insônia estão intimamente ligadas, criando um ciclo difícil de quebrar. “A pessoa ansiosa tem dificuldade para ‘desligar’ a mente, o que compromete o início e a manutenção do sono. Por outro lado, dormir pouco aumenta os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, e isso agrava ainda mais a ansiedade. É um círculo vicioso”, afirma.
Além disso, Cintia destaca que a cultura da produtividade extrema, reforçada pelo ambiente corporativo e pelas redes sociais, piora o quadro. “Existe uma pressão constante para ser eficiente, criativo, atualizado e disponível. A consequência disso é que muitos negligenciam o autocuidado e não respeitam os limites do corpo e da mente.”
Sinais de alerta: quando buscar ajuda
Segundo a especialista, é preciso ficar atento a alguns sintomas que indicam que a ansiedade e a insônia estão prejudicando a saúde:
Dificuldade para iniciar o sono ou acordar várias vezes durante a noite
Sensação de cansaço extremo mesmo após dormir
Irritabilidade frequente e mudanças de humor
Dificuldade de concentração e lapsos de memória
Preocupação constante e sensação de “mente acelerada”
Alterações no apetite e sintomas físicos, como palpitações e falta de ar
“Quando esses sinais se tornam persistentes, é fundamental procurar ajuda de um psicólogo ou psiquiatra. O tratamento adequado pode envolver terapia, mudanças na rotina e, em alguns casos, medicação”, orienta Cintia Alves.
Estratégias práticas para retomar o equilíbrio
Cintia recomenda algumas ações simples e eficazes para reduzir os impactos da ansiedade e melhorar a qualidade do sono:
Estabeleça uma rotina de sono – Dormir e acordar no mesmo horário todos os dias ajuda a regular o relógio biológico.
Desconecte-se antes de dormir – Evite o uso de celulares, computadores e TV pelo menos 1 hora antes de deitar.
Pratique atividade física – Exercícios moderados ajudam a liberar endorfinas e reduzem o estresse.
Invista em técnicas de respiração e meditação – Respirar profundamente e praticar mindfulness podem acalmar a mente.
Cuide da alimentação – Evite cafeína e alimentos muito pesados à noite.
Defina prioridades – Aceitar que não é possível dar conta de tudo ajuda a reduzir a pressão interna.
“Não existe fórmula mágica, mas pequenas mudanças diárias têm um efeito enorme na saúde mental. O mais importante é reconhecer os limites e respeitar o próprio corpo”, reforça a psicóloga.
Um problema coletivo que exige atenção
O crescimento dos casos de ansiedade e insônia não é apenas uma questão individual, mas também social. “Precisamos falar sobre saúde mental de forma mais ampla, dentro das empresas, nas escolas e nas famílias. O cuidado não pode ficar restrito ao indivíduo; é preciso criar ambientes mais saudáveis e acolhedores”, conclui Cintia Alves.
Em um mundo cada vez mais acelerado, onde o tempo parece nunca ser suficiente, entender os sinais do corpo e da mente é o primeiro passo para recuperar a qualidade de vida. Dormir bem e reduzir a ansiedade não são luxos, mas necessidades para viver com equilíbrio.
