Na abertura da Cúpula do Mercosul, em Foz do Iguaçu, Lula criticou ameaças militares dos EUA à Venezuela e lamentou o adiamento do acordo comercial entre o bloco e a União Europeia. O presidente afirmou que uma intervenção armada seria uma catástrofe humanitária e disse que a Europa perdeu a chance de reforçar o multilateralismo.

Única baixa é Rodrigo Paz, recém-empossado presidente da Bolívia e que ainda organiza seu governo  - Foto: Reprodução/TV Brasil
Única baixa é Rodrigo Paz, recém-empossado presidente da Bolívia e que ainda organiza seu governo - Foto: Reprodução/TV Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu, neste sábado (20), presidentes e chefes de delegação dos países do Mercosul para a reunião de Cúpula do bloco, realizada em Foz do Iguaçu, no Paraná. Antes da abertura oficial dos trabalhos, os líderes posaram para a tradicional foto no Mirante das Cataratas do Iguaçu.

Ao lado de Milei, Lula posa para foto com líderes do Mercosul - Foto: reprodução/Ricardo Stuckert / PR

Ao lado de Milei, Lula posa para foto com líderes do Mercosul – Foto: reprodução/Ricardo Stuckert / PR

Apesar de, inicialmente, terem sinalizado ausência, os presidentes da Argentina, Javier Milei, e do Paraguai, Santiago Peña, confirmaram presença no encontro. Também participaram da Cúpula o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, o presidente do Panamá, José Raúl Mulino — país recentemente incorporado como Estado Associado — além de representantes do Peru, Colômbia, Bolívia, Chile, Equador e da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi).

Durante o discurso de abertura da 67ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, Lula fez duras críticas às ameaças de intervenção militar dos Estados Unidos contra a Venezuela. Segundo o presidente brasileiro, uma eventual ação armada no país governado por Nicolás Maduro representaria uma “catástrofe humanitária” para a América do Sul.

“Passadas mais de quatro décadas desde a Guerra das Malvinas, o continente sul-americano volta a ser assombrado pela presença militar de uma potência extrarregional. Os limites do direito internacional estão sendo testados”, afirmou Lula.

O presidente também demonstrou insatisfação com a União Europeia pelo adiamento da assinatura do acordo de livre comércio com o Mercosul, que era aguardada para este fim de semana. Segundo Lula, o bloco europeu perdeu a oportunidade de enviar uma mensagem clara de fortalecimento do multilateralismo em um cenário internacional cada vez mais competitivo.

“Tínhamos em nossas mãos a oportunidade de transmitir ao mundo uma mensagem importante em defesa do multilateralismo e de fortalecer nossa posição estratégica. Mas, infelizmente, a Europa ainda não se decidiu. Líderes europeus pediram mais tempo para discutir medidas adicionais de proteção agrícola”, declarou.

A Cúpula ocorre em um momento de desafios para o Mercosul, marcado pela frustração com o acordo europeu e pela tentativa de ampliar frentes de negociação com outros mercados, como Canadá, Índia e Emirados Árabes Unidos. A presidência brasileira do bloco aposta na intensificação do diálogo político e econômico entre os países-membros e associados como forma de fortalecer a integração regional.

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