Em seu primeiro emprego na área, ela admitiu que poderia ter denunciado a situação, mas não o fez, mesmo sabendo que a substância aplicada não deveria ser usada daquela forma
A técnica de enfermagem Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 anos, afirmou em depoimento que se sentiu intimidada para questionar o colega Marcos Vinícius Silva Barbosa de Andrade, 24, após a morte de pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga, no Distrito Federal.
Segundo apuração do Metrópoles, Marcela relatou que tinha receio de não ser levada a sério por Marcos Vinícius, já que ele era o profissional responsável por treiná-la. A jovem estava em seu primeiro emprego na área da enfermagem.
Mortes na UTI sob plantões de técnicos presos entram na mira da investigação
Ela reconheceu que tinha conhecimento de que a substância utilizada não poderia ser aplicada da forma como ocorreu. Mesmo assim, admitiu que não comunicou a situação a outros profissionais ou à direção do hospital, embora tivesse condições de fazê-lo.
O inquérito conduzido pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) aponta, no entanto, uma avaliação mais grave sobre a conduta da técnica. De acordo com os investigadores, Marcela “aparentava demonstrar prazer” ao presenciar os atos criminosos. Imagens analisadas pela polícia mostram ainda que ela teria manipulado a substância em pelo menos um dos episódios investigados.
Técnico aplicava substância enquanto colegas faziam vigilância
De acordo com a investigação conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), as técnicas de enfermagem Marcela Camilly Alves da Silva e Amanda Rodrigues de Sousa teriam atuado como apoio direto ao técnico Marcos Vinícius Silva Barbosa de Andrade durante a aplicação irregular de uma substância em pacientes internados.
Segundo o delegado Wisllei Salomão, responsável pelo caso, Marcos Vinícius era quem realizava a administração intravenosa do produto, enquanto as duas colegas assumiam a função de monitorar a movimentação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Polícia detalha estratégia para evitar flagrante
A estratégia, conforme apontado no inquérito, incluía a vigilância dos corredores e o posicionamento próximo aos leitos para dificultar a visualização da conduta do técnico.
Em alguns episódios, Marcela e Amanda teriam se colocado à frente do braço dos pacientes, impedindo que outros profissionais percebessem a aplicação da substância. A polícia acredita que essa atuação foi essencial para a execução das ações sem interrupções.
Durante os interrogatórios iniciais, ambas negaram qualquer envolvimento nos crimes. No entanto, após ser confrontada com imagens captadas pelas câmeras de segurança do hospital, Marcela Camilly acabou admitindo participação como coautora. O inquérito segue em andamento para esclarecer o grau de responsabilidade de cada investigado.
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