O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e a ministra do Planejamento, Simone Tebet, iniciam hoje uma visita ao México para tentar destravar a relação comercial entre os dois países. O objetivo da missão é apresentar o Brasil como um parceiro comercial viável e estratégico para o México, que busca urgentemente diversificar seus mercados diante das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos.
A necessidade de novos parceiros é maior para o México, que depende dos EUA para 84,2% de suas exportações, enquanto o Brasil vende 12% de seus produtos para os americanos.
Cenário atual
Apesar de a América Latina concentrar 60% do PIB da região, o Brasil exportou apenas US$ 7,8 bilhões para o México no ano passado, e comprou US$ 5,8 bilhões. Essa relação gerou um superávit brasileiro de US$ 2 bilhões, mas o valor já foi maior, com as exportações recuando 9% em 2024.
O México é o principal alvo do Brasil na região após as tarifas americanas. A balança comercial entre os dois países é dominada pela indústria de veículos e peças, mas o setor agrícola brasileiro já mostra crescimento. A abertura do mercado mexicano para a carne bovina brasileira, por exemplo, fez com que o produto ocupasse o primeiro lugar do ranking de exportações entre janeiro e julho deste ano.
Desafios e perspectivas
As negociações, no entanto, são consideradas difíceis. A indústria brasileira teme que a abertura de mercado possa facilitar a entrada de produtos dos EUA indiretamente, já que o México faz parte do USMCA (Acordo Estados Unidos-México-Canadá). O México, por sua vez, considera o Brasil muito protecionista.
Apesar disso, a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, tem demonstrado interesse em buscar novos parceiros. A delegação brasileira, que conta com a presença de empresários, pretende apresentar o Brasil como um parceiro para o “Plan México”, programa de desenvolvimento que visa fortalecer a indústria nacional do país.
“Essa parceria ainda está abaixo do seu potencial, e a missão tem o intuito de contribuir para a negociação de um acordo mais abrangente”, diz a CNI (Confederação Nacional da Indústria) em nota. A agenda extensa inclui visitas técnicas e a participação em um Fórum Empresarial Brasil-México.
