Mensagens e gravações indicam que funerárias em São Paulo teriam enganado famílias enlutadas para aumentar lucros. Registros internos obtidos por reportagem mostram que funcionários de empresas responsáveis pela gestão dos cemitérios municipais da capital paulista teriam sido orientados a apresentar serviços opcionais como se fossem obrigatórios, prática que teria elevado significativamente os custos cobrados em um momento de extrema vulnerabilidade emocional.
Mensagens e gravações indicam que funerárias em São Paulo teriam enganado famílias enlutadas para aumentar lucros. Registros internos obtidos por reportagem mostram que funcionários de empresas responsáveis pela gestão dos cemitérios municipais da capital paulista teriam sido orientados a apresentar serviços opcionais como se fossem obrigatórios, prática que teria elevado significativamente os custos cobrados em um momento de extrema vulnerabilidade emocional.
O serviço funerário de São Paulo foi privatizado em março de 2023, quando a administração de cemitérios públicos e de um crematório passou para a iniciativa privada, e desde então surgiram denúncias de condutas comerciais abusivas.
De acordo com as conversas analisadas, supervisores instruíam equipes de atendimento a afirmar que procedimentos como higienização e tanatopraxia seriam exigências legais, especialmente em casos de famílias que buscavam serviços gratuitos ou pacotes básicos. A tanatopraxia, no entanto, é um procedimento de conservação do corpo indicado apenas em situações específicas, como longos intervalos até o sepultamento, e não é obrigatória por lei.

As mensagens também revelam orientações para que atendentes informassem que, sem a contratação desses serviços adicionais, o caixão precisaria permanecer fechado durante o velório, impedindo a despedida visual dos familiares. Um trabalhador do setor, que preferiu não se identificar, relatou pressão por metas de faturamento, com risco de punições e demissões para quem não alcançasse os valores estipulados.

Procuradas, as empresas concessionárias afirmaram que higienização e tanatopraxia não são obrigatórias e que a limpeza básica do corpo está incluída nos serviços prestados. Algumas concessionárias declararam ainda que esses procedimentos são apenas recomendados em situações específicas, sempre mediante autorização da família. A Prefeitura de São Paulo confirmou que não existe exigência legal para a contratação desses serviços e informou que as denúncias estão sendo apuradas pelo órgão regulador responsável.
O caso provocou reação de parlamentares e representantes sindicais, que classificaram as práticas como graves, por explorarem a vulnerabilidade emocional de famílias enlutadas.
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