Relatório da Administração Penitenciária do DF aponta que a tornozeleira de Bolsonaro tinha queimaduras e sinais de avaria. Questionado, ele admitiu ter usado um ferro de solda para violar o equipamento. Um vídeo anexado confirma a confissão. O alarme tocou às 0h07 e a escolta trocou o dispositivo à 1h09. O episódio foi decisivo para a conversão da prisão domiciliar em preventiva.
Um relatório elaborado pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seape-DF) aponta que a tornozeleira eletrônica usada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresentava “sinais claros e importantes de avaria”, incluindo marcas de queimadura em toda a circunferência, especialmente na região do fechamento do equipamento.
De acordo com o documento, durante a verificação da violação, Bolsonaro foi questionado pelos agentes sobre qual instrumento teria utilizado. O ex-presidente afirmou ter usado um ferro de solda para tentar abrir a tornozeleira. A Seape anexou ao relatório um vídeo no qual o próprio Bolsonaro confirma ter utilizado a ferramenta para violar o dispositivo.
O alarme do equipamento disparou às 0h07. Imediatamente, a equipe responsável pela segurança de Bolsonaro foi acionada pela Secretaria de Administração Penitenciária, órgão encarregado do monitoramento. A escolta se dirigiu à residência do ex-presidente, no Jardim Botânico, e confirmou a violação.
Às 1h09, pouco mais de uma hora depois do alerta, a tornozeleira foi substituída por uma nova. O episódio foi registrado e encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que horas depois usou o rompimento como um dos fundamentos para converter a prisão domiciliar de Bolsonaro em prisão preventiva.
O relatório integra o conjunto de documentos que embasam a investigação sobre a conduta do ex-presidente na madrugada deste sábado (22), ponto central dos desdobramentos jurídicos e políticos que se seguiram à sua detenção.
