O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) intensificou nos bastidores a pressão para que aliados no Congresso priorizem a votação de uma anistia penal que abranja não apenas os condenados pelos atos golpistas de 8 de Janeiro, mas também o seu próprio caso. A estratégia tem como objetivo suspender a pena de 27 anos e 3 meses de prisão imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que o condenou por crimes de tentativa de abolição do Estado democrático de direito e de golpe de Estado.
Com receio de ser levado ao regime fechado, Bolsonaro estaria disposto a abrir mão, neste momento, da reversão de sua inelegibilidade até 2030, considerada uma batalha política secundária diante da gravidade da condenação.
A ideia de uma anistia ampla, no entanto, encontra resistência em setores do centrão. Parlamentares reconhecem a pressão do ex-presidente, mas avaliam que incluir Bolsonaro no mesmo pacote dos envolvidos nos atos do 8 de Janeiro pode gerar ainda mais desgaste junto à opinião pública e ao Judiciário.
Em meio às incertezas, Bolsonaro cumpre prisão domiciliar em razão de seu quadro de saúde fragilizado, enquanto aliados tentam articular apoio para viabilizar o perdão. Ao mesmo tempo, cresce a movimentação em torno do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), apontado como possível herdeiro político do bolsonarismo caso o ex-presidente não consiga se manter ativo no cenário eleitoral.
Para Bolsonaro, a anistia representa não apenas uma saída jurídica, mas também uma tentativa de se reposicionar politicamente. Ainda assim, especialistas avaliam que a resistência no Congresso pode adiar ou até inviabilizar essa estratégia.
