O Ministério da Saúde confirmou a identificação, no Brasil, do subclado K da Influenza A (H3N2), conhecido como gripe K, em amostras analisadas no estado do Pará. Segundo o informe de vigilância epidemiológica, trata-se de uma variação genética do vírus influenza A já conhecido, sem evidências de aumento da gravidade da doença. O documento também aponta a circulação do subclado J.2.4, identificado anteriormente em países da América do Norte, Europa e Ásia. Apesar da confirmação, o ministério afirma que o padrão da doença segue o comportamento esperado da influenza sazonal. Dados recentes indicam crescimento ou manutenção das internações por Influenza A em estados das regiões Norte, Nordeste e Sul, enquanto o Sudeste apresenta tendência de queda. Diante do cenário, o Brasil mantém o monitoramento da doença, seguindo alertas da Opas e da OMS sobre a possibilidade de uma temporada de gripe mais precoce em 2026, reforçando a vacinação como principal estratégia de prevenção.
O Ministério da Saúde confirmou a identificação, no Brasil, do subclado K da Influenza A (H3N2), popularmente chamado de gripe K, em amostras analisadas no estado do Pará. A informação consta no Informe de Vigilância das Síndromes Gripais, referente à Semana Epidemiológica 49, divulgado em 12 de dezembro.
De acordo com a pasta, a gripe K não é um vírus novo, mas sim uma variação genética do influenza A (H3N2), já conhecido e responsável por surtos sazonais de gripe. O documento também aponta a identificação do subclado J.2.4 do mesmo vírus. Ambos já estavam em circulação em países da América do Norte, Europa e Ásia antes de serem detectados no Brasil.
O Ministério da Saúde ressalta que não há evidências de aumento da gravidade da doença associado a esses subclados. O padrão observado segue o comportamento esperado da influenza sazonal, especialmente do subtipo H3N2. O aumento da circulação do vírus no país, inclusive, ocorreu antes da identificação dessas variações específicas.
Situação da influenza no Brasil
O informe aponta crescimento ou manutenção das hospitalizações por Influenza A em estados das regiões Norte (Amazonas, Pará e Tocantins), Nordeste (Bahia, Piauí e Ceará) e Sul, em Santa Catarina. No Sudeste, a tendência é de redução gradual das internações relacionadas ao vírus.
Os sintomas associados à gripe K são os mesmos da gripe comum, como febre, dor no corpo, tosse e cansaço, com atenção especial para sinais de piora rápida e falta de ar.
Alerta da Opas e da OMS
A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiram alertas sobre a possibilidade de uma temporada de gripe mais precoce e intensa em 2026, após o aumento da circulação global do influenza A (H3N2). Segundo a OMS, alguns países já registraram início antecipado da atividade gripal e níveis acima do padrão histórico.
Desde agosto de 2025, a vigilância genômica global identificou crescimento rápido do subclado J.2.4.1, também conhecido como subclado K, em dezenas de países. Apesar disso, até o momento, não há indicação de aumento relevante de casos graves, internações em UTI ou mortes.
Vírus sofre mutações constantes
Especialistas explicam que o influenza passa por mudanças genéticas frequentes, processo conhecido como deriva genética. “O influenza é um vírus que se reinventa o tempo todo. Mesmo quem teve gripe recentemente continua sob risco”, explica o pediatra e infectologista Renato Kfouri, da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
Segundo ele, entre 15% e 20% da população mundial é infectada pelo vírus da gripe todos os anos. O subclado K pode favorecer maior transmissão, mas não representa o surgimento de uma nova cepa.
Vacinação segue como principal prevenção
O Ministério da Saúde reforça que a vacinação contra a gripe continua sendo a principal estratégia para prevenir casos graves, internações e mortes, especialmente entre idosos, crianças, gestantes, pessoas com comorbidades e imunocomprometidos.
Dados preliminares indicam que a vacina oferece proteção de 70% a 75% contra hospitalizações em crianças e de 30% a 40% em adultos, mesmo quando há diferenças genéticas entre os vírus circulantes e os incluídos na formulação anual.
“A gripe não é uma infecção banal. A melhor resposta continua sendo vigilância, vacinação e preparação dos serviços de saúde”, reforça Kfouri.
O Brasil segue em monitoramento contínuo da circulação do vírus e das variantes da influenza, alinhado às recomendações da Opas e da OMS.
