O brasileiro João Guilherme Corrêa, apontado pela Polícia Federal como líder da Crew 38 e integrante da rede neonazista Hammerskin Nation, foi preso na Itália após ser procurado pela Interpol. Ele é acusado de discriminação racial, organização criminosa e deverá responder ao processo no Brasil após a extradição.
O brasileiro João Guilherme Corrêa, apontado pela Polícia Federal (PF) como um dos principais líderes de organizações neonazistas no país, foi preso neste sábado (27) na cidade de Pavia, no norte da Itália, durante uma operação realizada pelas autoridades italianas, com apoio da PF.

Casal Bernardo Pedroso e Renata Ferreira, assassinado em 2009 (Foto: Reprodução)
Procurado internacionalmente por meio de um alerta da Interpol, ele era alvo de um mandado de prisão preventiva expedido pela 7ª Vara Federal de Florianópolis (SC) desde o ano passado.
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Brasileiro é líder de grupo neonazista
Segundo a Polícia Federal, João Guilherme é apontado como líder do grupo neonazista Crew 38 e um dos principais representantes brasileiros da organização internacional Hammerskin Nation, fundada por supremacistas brancos nos Estados Unidos e com atuação em diversos países, incluindo a Itália.
De acordo com as investigações, o suspeito responde por discriminação racial, crime previsto no artigo 20 da Lei nº 7.716/1989, além de ser acusado de integrar, promover, financiar ou constituir organização criminosa, conforme o artigo 2º da Lei nº 12.850/2013.
Suspeito tem histórico criminal
Esta não é a primeira vez que João Guilherme é alvo das autoridades. Em 2022, ele foi preso durante uma operação que desarticulou uma célula neonazista interestadual em Santa Catarina. Antes disso, em 2009, também chegou a ser acusado de participação em um duplo homicídio que vitimou um casal na região metropolitana de Curitiba.
O investigado estava incluído na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo utilizado para alertar forças policiais de diferentes países sobre pessoas procuradas pela Justiça, permitindo sua prisão para fins de extradição.
Cooperação entre autoridades brasileiras e italianas
A prisão contou com a atuação da Adidância da Polícia Federal em Roma, responsável pela cooperação entre as autoridades brasileiras e italianas. Segundo a corporação, os procedimentos para a extradição de João Guilherme ao Brasil já foram iniciados.
As investigações apontam que a Crew 38 promovia encontros presenciais para difundir a ideologia neonazista, recrutar novos integrantes e fortalecer a atuação da organização. Um desses encontros ocorreu em 14 de novembro de 2022, em uma propriedade rural de São Pedro de Alcântara, em Santa Catarina.
Nazismo e supremacia branca
De acordo com a decisão da 7ª Vara Federal de Florianópolis, os participantes se reuniram com o objetivo de “praticarem, incitarem e cultuarem a discriminação e preconceito de raça, cor, etnia e religião”, além de exaltar o nazismo e a chamada supremacia branca.
Na ocasião, nove integrantes foram encontrados no local. As investigações revelaram que o grupo utilizava um canal no Telegram para compartilhar conteúdos neonazistas, mensagens racistas direcionadas principalmente contra negros e judeus, além de organizar reuniões e ações do grupo.
Apoio a líderes, narrativas e símbolos extremistas
Durante as buscas, os policiais apreenderam celulares contendo imagens e vídeos de Adolf Hitler, fotografias de bandeiras com a suástica, conversas de conteúdo racista e outros materiais relacionados ao nazismo. Alguns dos investigados também possuíam tatuagens com símbolos ligados ao regime nazista.
No caso de João Guilherme, a decisão judicial registra que, além do material encontrado em seu telefone, ele mantinha um exemplar do livro The Turner Diaries, obra conhecida por inspirar movimentos extremistas e cuja narrativa retrata um golpe de Estado liderado por supremacistas brancos nos Estados Unidos.
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Atuação suspeita no Brasil
A sentença também aponta que o investigado se apresentava, desde 2017, como líder de “um pequeno grupo de camaradas nacionalistas brancos” e que a organização mantinha integrantes em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais, promovendo encontros frequentes para ampliar sua atuação.
Além das evidências relacionadas ao neonazismo, a Polícia Federal informou que arquivos contendo material de abuso sexual infantojuvenil foram encontrados em dispositivos eletrônicos apreendidos com alguns integrantes da organização, fato que também passou a integrar as investigações.
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