A contagem regressiva para 2026, ano previsto para o início da taxação de dividendos no Brasil, acendeu o sinal de alerta entre investidores de alta renda. O que antes era um movimento motivado principalmente por qualidade de vida agora assume uma dimensão estratégica: brasileiros estão acelerando processos de imigração para os Estados Unidos como forma de proteção patrimonial.
A contagem regressiva para 2026, ano previsto para o início da taxação de dividendos no Brasil, acendeu o sinal de alerta entre investidores de alta renda. O que antes era um movimento motivado principalmente por qualidade de vida agora assume uma dimensão estratégica: brasileiros estão acelerando processos de imigração para os Estados Unidos como forma de proteção patrimonial.
O mercado evidencia uma mudança clara de mentalidade: antecipar-se ao aumento da carga tributária e assegurar liquidez em moeda forte. Especialistas apontam que a procura por vistos que exigem aporte de capital, como o EB-5, deixou de ser exclusividade de milionários e passou a integrar o planejamento de famílias de classe alta, executivos e empresários em busca de previsibilidade econômica.
Segundo o advogado de imigração Dr. Felipe Alexandre, fundador da ALFA – Alexandre Law Firm & Associates, o interesse por vistos de investidor já reflete essa nova dinâmica:
“Observamos um aumento significativo na procura por vistos de investidor entre brasileiros nos últimos três meses. Esse crescimento não está restrito a grandes empresários: inclui profissionais qualificados, executivos, empreendedores e famílias de alto patrimônio que buscam estabilidade econômica, liberdade de negócios e um ambiente regulatório mais previsível”, explica o especialista.

Felipe Alexandre, fundador da ALFA – Alexandre Law Firm & Associates (Crédito: Thomaz Press/Thomaz Assessoria)
Proteção patrimonial e reorganização de capital
Embora a tributação seja o gatilho, o objetivo final vai além da economia fiscal. O investidor busca um ambiente seguro onde seu capital esteja protegido de instabilidades.
Ao ser questionado se a taxação é o fator central do movimento, Dr. Felipe Alexandre destaca o caráter estratégico da mudança:
“Sim, é um fator frequentemente mencionado. A busca por vistos de investimento integra um planejamento mais amplo de mobilidade internacional e reorganização patrimonial. O objetivo não é apenas ‘fugir da taxação’, mas realocar ativos em economias sólidas, com melhor escala de negócios e moeda forte. Os EUA acabam sendo uma escolha natural.”
O cenário para 2026: corrida pelos Centros Regionais
Com a proximidade das mudanças fiscais no Brasil, a expectativa é de que 2026 registre um fluxo ainda maior de capital brasileiro em direção aos Estados Unidos.
“Com certeza. Com base nos padrões de comportamento do último ano e no cenário socioeconômico atual do Brasil e da América Latina, a tendência é que 2026 registre um novo ciclo de alta na demanda por vistos de investidor”, afirma o advogado.
Ele ressalta ainda o crescimento acelerado do interesse pelo visto EB-5, que concede o Green Card mediante investimento em projetos previamente aprovados pelo governo americano:
“Até mesmo a procura por projetos de Centros Regionais para o visto EB-5 tem crescido de forma expressiva. Muitos desses centros estão ampliando seus portfólios para atender à nova demanda e acomodar o número crescente de investidores interessados”, conclui o fundador da ALFA.