São Paulo pode atravessar 2026 sob restrições contínuas no abastecimento de água. Estudos feitos por pesquisadores do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) apontam que o Sistema Cantareira, principal manancial da capital e da região metropolitana, opera em nível crítico e não deve se recuperar nem mesmo em cenários mais favoráveis de chuva.

Volume de água no Sistema Cantareira atinge nível crítico e acende alerta para possíveis restrições no abastecimento de São Paulo ao longo de 2026. Foto: Agência SP.
Volume de água no Sistema Cantareira atinge nível crítico e acende alerta para possíveis restrições no abastecimento de São Paulo ao longo de 2026. Foto: Agência SP.

São Paulo pode atravessar 2026 sob restrições contínuas no abastecimento de água. Estudos feitos por pesquisadores do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) apontam que o Sistema Cantareira, principal manancial da capital e da região metropolitana, opera em nível crítico e não deve se recuperar nem mesmo em cenários mais favoráveis de chuva.

Atualmente, o Cantareira está com cerca de 19% da capacidade, o menor patamar desde a crise hídrica de 2014. O sistema abastece aproximadamente 9 milhões de pessoas e já funciona com retirada reduzida de água, o que impacta diretamente a pressão nas redes de distribuição.

Seca prolongada agrava cenário

A situação é resultado de uma sequência de anos com chuvas abaixo da média. Em 2025, a região Sudeste enfrentou uma das estiagens mais severas da última década. Na bacia do Cantareira, o volume anual de chuvas ficou quase 30% abaixo do esperado, comprometendo a recarga dos reservatórios.

Segundo o Cemaden, a estiagem não é um evento isolado, mas parte de um padrão mais longo associado às mudanças climáticas e ao aquecimento dos oceanos, que favorecem bloqueios atmosféricos e reduzem a formação de chuvas regulares sobre as bacias.

Menos água nas torneiras

Com o volume abaixo de 30%, protocolos de restrição já estão em vigor. A quantidade de água retirada do sistema caiu de 33 para cerca de 23 metros cúbicos por segundo, o que representa uma redução diária de centenas de milhões de litros distribuídos à população.

Na prática, isso significa menos pressão nas redes, afetando principalmente bairros mais altos e regiões periféricas, onde já há relatos frequentes de desabastecimento.

Especialistas alertam que, se o cenário persistir, medidas mais severas podem ser adotadas, como suspensão do fornecimento durante a noite e até racionamento formal, semelhante ao que ocorreu em 2014.

Especialistas defendem medidas urgentes

Para hidrólogos e especialistas em recursos hídricos, o momento exige ações imediatas. A recomendação inclui ampliação da redução da pressão noturna, campanhas de economia de água e revisão do modelo de gestão dos mananciais.

“O sistema está sob estresse contínuo. Não é mais uma crise passageira. É preciso assumir que teremos menos água disponível e adaptar o consumo a essa nova realidade”, avaliam técnicos que acompanham a situação do Cantareira.

 Distribuição segue alta apesar da crise

Mesmo com a queda nos reservatórios, dados oficiais indicam que a retirada de água em 2025 atingiu o maior patamar desde a crise hídrica, impulsionada pelo aumento da demanda durante ondas de calor. O contraste entre consumo elevado e menor disponibilidade acende um alerta para 2026.

 O que esperar para 2026

  • Abastecimento sob restrição durante todo o ano

  • Redução contínua da pressão da água

  • Possibilidade de cortes noturnos mais longos

  • Discussão sobre retomada de multas por consumo excessivo

A avaliação de especialistas é unânime: o cenário exige planejamento de longo prazo, investimento em redução de perdas na rede e mudança no comportamento de consumo. Sem isso, São Paulo pode enfrentar uma crise ainda mais severa do que a vivida há mais de uma década.

 

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