A cantora iraniana Parastoo Ahmadi foi condenada a 74 chibatadas por se apresentar sem hijab durante uma transmissão ao vivo em 2024. Além da punição física, ela e sua equipe receberam proibição de atuar artisticamente e deixar o país por dois anos. O caso gerou críticas de organizações de direitos humanos.
A cantora iraniana Parastoo Ahmadi, de 29 anos, foi condenada a receber 74 chibatadas em público após se apresentar sem o uso do hijab, o véu islâmico obrigatório para mulheres no Irã.

(Foto: iStock)
A decisão foi tomada por um tribunal da província de Qom, considerada um dos principais centros religiosos e políticos do país.
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A condenação está relacionada a uma apresentação transmitida ao vivo em dezembro de 2024. Durante o evento, a artista interpretou a canção patriótica “As Khoone Javane Vatan” (“Do Sangue da Juventude da Pátria”), que viralizou nas redes sociais e acumulou milhões de visualizações na internet.
Além de Ahmadi, outros oito integrantes da equipe de produção também foram condenados pelas autoridades iranianas.
Obrigação cultural do hijab
A apresentação chamou atenção por desafiar uma das regras mais rígidas da República Islâmica. Desde a Revolução de 1979, mulheres são obrigadas a utilizar o hijab em locais públicos. O descumprimento da norma pode resultar em punições que incluem multas, detenções e outras sanções previstas pela legislação do país.
A província de Qom, localizada a cerca de 150 quilômetros de Teerã, possui enorme influência religiosa no Irã.
A cidade abriga importantes centros de formação do clero xiita e é considerada um dos principais polos de poder do regime teocrático iraniano. Muitos dos principais aiatolás do país vivem ou mantêm escritórios na região.
Condenação a chibatadas
Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, a cantora e os músicos envolvidos chegaram a ser detidos temporariamente após a transmissão do show, mas foram liberados posteriormente. Agora, além das 74 chibatadas, as autoridades determinaram uma proibição de dois anos para que Parastoo Ahmadi e sua equipe deixem o país ou exerçam atividades artísticas.
A punição provocou reação de organizações de defesa dos direitos humanos. Especialistas e ativistas argumentam que cantar, produzir música ou divulgar obras artísticas não constitui crime segundo a legislação penal iraniana.
Entidades internacionais também apontam que mulheres artistas e ativistas dos direitos femininos vêm enfrentando restrições, prisões e punições semelhantes nos últimos anos.
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