Carlinhos Maia comentou a condenação de Hytalo Santos a 11 anos de prisão e afirmou que o influenciador pode ter sido tratado como “bode expiatório” no debate sobre sexualização nas redes sociais, defendendo que o problema é estrutural e mais amplo.
O influenciador Carlinhos Maia comentou a condenação do também influenciador Hytalo Santos, preso desde agosto de 2025, e alegou que a pena contra o paraibano serviu na definição de um bode expiatório para a sexualização exposta nas mídias sociais, principalmente envolvendo crianças e adolescentes.
Em entrevista ao jornalista Leo Dias, ele revelou ter ficado surpreso com a pena de 11 anos aplicada ao famoso, detido junto com o marido, Israel Vicente, conhecido como Euro, na Penitenciária do Roger, em João Pessoa, capital da Paraíba.
Carlinhos Maia reage condenação
“Eu fiquei chocado! Justiça. A gente não sabe, de fato, o que se passa lá dentro e o que é mostrado para a mídia. Se tiver alguma coisa que a Justiça sabe e que a gente não sabe, aí ok, a gente não tem que opinar em nada. A Justiça deve saber de alguma coisa que a gente não sabe. Se for pelos vídeos da internet, como a gente viu, é a realidade da favela mesmo, das comunidades”, afirmou.
Para Maia, no entanto, a sexualização tem se tornado uma característica que vem se enraizando na cultura brasileira, principalmente na música, envolvendo ritmos, danças e tendências virais que envolvem principalmente os mais jovens, a partir do contexto online.
Influenciador virou ‘bode expiatório’
“É tipo assim: ‘Senta no meu…’, ‘Desce gostoso rebolando’. A maioria das músicas que fazem sucesso hoje em dia é assim: ‘Vem comer minha…’. Tudo isso existe! A sexualização é nacional. E é muito louco, eu acho uma hipocrisia quando você quer eleger apenas um bode expiatório como raiz do problema, quando, na verdade, está toda hora colocando isso dentro da sua casa — e eu tenho certeza de que você não está nem aí para isso”, explicou.
Em meio a carências, o influenciador também descreveu um relato pessoal de origens humildes. “Existem esses militantes de televisão, mas que não vivem a realidade do povo brasileiro. Eu vim de lá [da periferia]. É onde o palavrão corre solto dentro de casa por falta de políticas públicas, por falta de escola, de educação, por falta de tantas coisas importantes para as pessoas e para a sociedade”, contou.
“Se você for agora a qualquer comunidade, tudo o que toca, inclusive nas próprias televisões quando colocam para rodar, é funk”, completou Carlinhos.
Hytalo Santos e Euro condenados
De acordo com a sentença proferida pelo Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), Hytalo foi condenado a 11 anos e 4 meses de reclusão. Já Israel Vicente recebeu pena de 8 anos e 10 meses de prisão. O processo tramitou na Justiça estadual e resultou na responsabilização criminal do casal. A defesa dos dois informou que não concorda com a condenação e que irá apresentar recurso às instâncias superiores.
Depois de negar um pedido de habeas corpus dos advogados dos dois réus, os magistrados fundamentaram a manutenção da prisão preventiva na necessidade de garantir a ordem pública e no risco de evasão dos réus, considerando a gravidade das condutas analisadas pelo Judiciário. A negativa do recurso ocorre logo após a divulgação das sentenças proferidas pela 2ª Vara Mista de Bayeux.
Os influenciadores foram presos por crimes relacionados à exploração de crianças e adolescentes, segundo investigações do Ministério Público da Paraíba (MP-PB), pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), pelo Gaeco-PB e pela Polícia Civil (PC).