A decisão da União Europeia de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal, nesta terça-feira (12), levantou dúvidas sobre possíveis impactos no preço da carne no mercado interno.
A decisão da União Europeia de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal, nesta terça-feira (12), levantou dúvidas sobre possíveis impactos no preço da carne no mercado interno.

União Europeia é um dos principais destinos da carne brasileira. Foto: Freepik.
O bloco europeu é atualmente o segundo maior comprador de carnes brasileiras em valor, atrás apenas da China. Com a restrição, parte da produção que seria destinada ao exterior pode acabar sendo redirecionada ao mercado interno.
União Europeia aponta questão sanitária
A União Europeia possui regras rígidas sobre substâncias utilizadas na criação animal. Entre os antimicrobianos proibidos estão virginiamicina, avoparcina, bacitracina, tilosina, espiramicina e avilamicina.
A medida pode afetar exportações de carne bovina, frango, mel, ovos e outros produtos de origem animal a partir de setembro. Segundo dados do setor, o comércio com o bloco europeu movimentou cerca de US$ 1,8 bilhão em 2025.
Em abril, o Ministério da Agricultura publicou uma portaria proibindo a importação, fabricação, comercialização e uso de alguns desses produtos como melhoradores de desempenho animal, incluindo avoparcina e virginiamicina.
Em entrevista à agência Lusa, a porta-voz da Comissão Europeia para a Saúde, Eva Hrncirova, afirmou que o Brasil poderá deixar “de exportar para a UE mercadorias como bovinos, equinos, aves, ovos, aquicultura, mel e invólucros”.
Ela também declarou que, para retornar à lista europeia, “o Brasil deve garantir o cumprimento dos requisitos da União relativos à utilização de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais dos quais provêm os produtos exportados”.
“Assim que a conformidade for demonstrada, a UE poderá autorizar ou retomar as exportações”, acrescentou a representante, destacando ainda que o bloco europeu segue em diálogo com autoridades brasileiras sobre o tema.
Preço da carne pode sofrer impacto interno
Caso as exportações para a União Europeia diminuam, parte da produção pode permanecer no mercado brasileiro, aumentando a oferta de carne no país.
Especialistas avaliam que esse cenário pode provocar redução pontual nos preços para o consumidor, principalmente em alguns cortes bovinos e de frango.
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Ainda assim, o impacto depende da capacidade dos frigoríficos de redirecionarem os produtos para outros mercados internacionais.
Analistas do setor afirmam que o efeito não deve ser imediato, já que empresas exportadoras ainda tentam negociar com outros compradores fora da Europa. Caso a situação não seja revertida, o Brasil poderá deixar de exportar quase US$ 2 bilhões por ano.
Brasil tenta voltar à lista europeia
Para voltar à lista da União Europeia, o Brasil precisará comprovar o cumprimento das regras sanitárias relacionadas ao uso de antimicrobianos na criação animal. O governo brasileiro e entidades do setor seguem negociando alternativas para evitar prejuízos maiores ao agronegócio nacional.
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