A adrenalina é amplamente utilizada na pediatria, principalmente em situações de emergência. Embora seja um medicamento fundamental, sua administração precisa seguir protocolos específicos.

Tânia Rêgo / Agência Brasil
Tânia Rêgo / Agência Brasil

A morte de Benício Xavier, de 6 anos, após receber adrenalina por via intravenosa no Hospital Santa Júlia, em Manaus, levantou dúvidas sobre a segurança do medicamento e sobre as condições adequadas para seu uso na pediatria. A criança chegou andando ao hospital, acompanhada dos pais, com suspeita de laringite. Após a aplicação incorreta da medicação, apresentou piora imediata, sofreu seis paradas cardíacas e não resistiu.

Por que a aplicação de adrenalina exige cuidado

A adrenalina é amplamente utilizada na pediatria, principalmente em situações de emergência. Embora seja um medicamento fundamental, sua administração precisa seguir protocolos específicos. De acordo com o pediatra Paulo Telles, da Sociedade Brasileira de Pediatria, a substância atua diretamente nos vasos sanguíneos, no coração e nos pulmões. Por isso, pode causar aumento da pressão arterial, aceleração dos batimentos cardíacos e dilatação dos brônquios.

Quando aplicada de maneira inadequada, os efeitos podem ser graves. Entre as reações adversas mais comuns estão palidez, sudorese, vômitos e alterações cardiovasculares. Em casos extremos, como o de Benício, há risco de arritmia severa, dor torácica, taquicardia intensa e até parada cardíaca.

Em quais situações o uso é contraindicado

Segundo o especialista, pessoas com hipersensibilidade conhecida aos componentes da fórmula devem evitar o uso da adrenalina. Algumas condições exigem avaliação rigorosa antes da administração, como:

  • determinados tipos de glaucoma;
  • hipertensão arterial;
  • hipertireoidismo;
  • insuficiência cardíaca;
  • doenças coronarianas;
  • arritmias cardíacas;
  • uso de medicamentos cardiovasculares ou diuréticos.

Mesmo assim, o médico reforça que, em situações críticas e de risco iminente de vida, não existe contraindicação absoluta. A aplicação pode ser necessária, especialmente em quadros de anafilaxia.

Quando a adrenalina é indicada

Na infância, o uso mais frequente é em reações alérgicas graves, com aplicação intramuscular. Em alguns quadros de laringite e obstruções das vias aéreas superiores, a via inalatória também pode ser adotada.

O uso intravenoso é reservado a situações específicas, como choque, necessidade de reforço da função cardíaca, bradicardia grave ou choque anafilático refratário. Por isso, a administração deve seguir protocolos rigorosos e ser realizada por profissionais habilitados.

Debate reforça importância de protocolos de segurança

A morte de Benício reacende discussões sobre treinamento, checagem de doses e vias de administração em hospitais. A investigação do caso continua, mas especialistas reforçam que o conhecimento técnico e o preparo profissional são essenciais para garantir a segurança dos pacientes e evitar erros com consequências irreparáveis.

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