O True Crime do SBT News revelou bastidores da investigação que apontou o feminicídio da PM Gisele Alves Santana. A perícia, o comportamento do suspeito e mensagens do casal foram decisivos para descartar a versão de suicídio e indicar o marido como autor do crime.
O programa True Crime, do SBT News, exibido neste domingo (29), revela detalhes inéditos da investigação sobre a morte da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, assassinada dentro de casa, em São Paulo.
O principal suspeito é o marido da vítima, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos. Ele está preso e responde como réu por feminicídio. Inicialmente, o oficial sustentou a versão de que a esposa teria cometido suicídio — hipótese descartada ao longo das investigações.
Perícia desmontou versão inicial
Responsável pelo caso, o delegado Lucas Lopes detalhou como a Polícia Civil conseguiu desconstruir a narrativa apresentada pelo suspeito. Segundo ele, desde o início, elementos da cena levantaram dúvidas.
“Tinham alguns detalhes que causavam estranhamento numa ocorrência de suicídio. Mas não basta desconfiar, nós teríamos que provar”, afirmou.
A perícia foi fundamental para esclarecer o caso. A análise de vestígios, como respingos de sangue, posição do corpo e ausência de resíduos de pólvora nas mãos da vítima, apontou inconsistências com a hipótese de suicídio.
“Se fosse um tiro encostado ou próximo, deixaria resquícios. Isso ocorre em quase 100% dos casos, e não havia nada”, explicou o delegado.
Comportamento do suspeito levantou suspeitas
Outro ponto que chamou atenção dos investigadores foi a postura do tenente-coronel. De acordo com a polícia, o relato apresentado por ele era detalhista, mas apresentava lacunas relevantes.
“Ele era extremamente detalhista, mas não teve a preocupação de saber onde foi o tiro”, destacou Lopes.
A frieza durante os depoimentos também foi considerada atípica. “Ele não esboçava emoção, mantinha sempre o mesmo tom, com justificativas prontas”, relatou o delegado.
Investigação minuciosa e sigilosa
A apuração contou com análise de milhares de horas de imagens e o depoimento de mais de 30 testemunhas, muitas ouvidas sob sigilo. Segundo a polícia, o trabalho discreto foi essencial para evitar que o suspeito antecipasse estratégias de defesa.
“A gente precisava trabalhar em silêncio. Qualquer vazamento poderia servir de munição para ele se preparar”, afirmou Lopes.
Mensagens revelaram relação abusiva
Outro elemento decisivo foram as mensagens trocadas entre o casal. O conteúdo indicou um relacionamento marcado por controle, ciúmes e sinais de violência psicológica.
“A gente percebe uma escalada na violência. Ele passa de um comportamento amoroso para controlador, com traços de posse e ciúme patológico”, concluiu o delegado.
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