A definição sobre qual Justiça deve julgar o caso do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de matar a esposa, a soldado Gisele Alves, tem gerado debate entre especialistas em direito penal e militar.

Gisele Alves Santana. Foto: Reprodução/Instagram
Gisele Alves Santana. Foto: Reprodução/Instagram

A definição sobre qual Justiça deve julgar o caso do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de matar a esposa, a soldado Gisele Alves, tem gerado debate entre especialistas em direito penal e militar.

Apesar de ambos serem policiais militares, a maioria dos juristas aponta que o processo deve tramitar na Justiça comum.

Segundo especialistas, crimes cometidos por militares contra outros militares costumam ser julgados pela Justiça Militar. No entanto, esse entendimento muda quando o caso não tem ligação com a função exercida.

No episódio envolvendo Gisele Alves, o crime ocorreu em ambiente doméstico, sem relação com atividades policiais, o que afasta a competência da Justiça Militar.

Julgamento pelo Tribunal do Júri

Nesses casos, a Constituição prevê que crimes dolosos contra a vida, como o feminicídio, sejam julgados pelo Tribunal do Júri, na Justiça comum.

Esse entendimento já foi reforçado por decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), que considera que a ausência de vínculo com a função militar desloca o julgamento para a esfera civil.

Apesar disso, o caso está sendo investigado em duas esferas: civil e militar.

A investigação na Justiça Militar tem como foco questões internas da corporação, como disciplina e hierarquia. 

Já a Justiça comum é responsável por analisar o crime de feminicídio.

Réu nega acusação

Geraldo Leite Rosa Neto se tornou réu após a Justiça aceitar a denúncia do Ministério Público e decretar sua prisão preventiva.

Ele nega o crime e sustenta que a esposa cometeu suicídio. A defesa afirma que ele colabora com as investigações e contesta as provas apresentadas.

A decisão final caberá ao Judiciário, que seguirá analisando as circunstâncias do caso.

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