Uma bebê de 10 meses identificada como Helena morreu em Fortaleza (CE) na segunda-feira (13), após dar entrada em uma unidade de saúde com indícios de violência sexual. Dois homens, de 22 e 26 anos, foram presos em flagrante e autuados por estupro de vulnerável seguido de morte. A mãe da criança esclareceu em depoimento que um dos suspeitos era um relacionamento recente, e não o padrasto da bebê, como se acreditava inicialmente.

Bebê Helena (Foto: reprodução)
Bebê Helena (Foto: reprodução)

A morte da bebê Helena, de 10 meses, mobilizou as autoridades do Ceará e repercutiu em todo o país nesta semana. A criança deu entrada em uma unidade de saúde no bairro Dionísio Torres, em Fortaleza, na manhã da última segunda-feira (13), e não resistiu. Durante o atendimento médico, profissionais identificaram indícios de violência sexual, o que levou o caso a ser tratado com extrema gravidade pela Polícia Civil do Ceará.

Casa da criança e do adolescente (Foto: reprodução)

Até o momento, a causa oficial da morte ainda não foi confirmada e depende da conclusão do laudo pericial produzido pela Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce).

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Como o caso veio à tona

Segundo depoimento prestado pela mãe da bebê às autoridades, ela acordou nas primeiras horas da manhã de segunda-feira e percebeu que a filha não reagia. Inicialmente, a mulher acreditou que a criança estivesse engasgada. Ela relatou ainda ter encontrado um dos suspeitos sobre a menina no momento em que percebeu a situação. Diante disso, procurou equipes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros que estavam nas proximidades do condomínio e, na sequência, levou a bebê até uma unidade de saúde, onde a morte foi confirmada.

De acordo com os autos, cinco pessoas estavam no apartamento durante a madrugada que antecedeu a morte de Helena: a mãe da criança, o homem apontado por ela como um relacionamento recente, um primo dele e outros dois familiares. As circunstâncias do que ocorreu no imóvel ainda estão sendo apuradas pela Polícia Civil.

Mãe esclarece relação com um dos suspeitos

Em depoimento, a mãe da bebê afirmou que o homem inicialmente apontado como padrasto da criança era, na verdade, um relacionamento recente — os dois teriam se conhecido poucos dias antes da morte de Helena, e não mantinham uma relação estável, segundo o relato. A informação foi divulgada pela coluna Na Mira, do Metrópoles. Até o momento, a Polícia Civil não informou se esse esclarecimento altera a linha de investigação do caso.

Prisões e investigação

Dois homens, de 22 e 26 anos, foram presos em flagrante e conduzidos à Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dceca), da Polícia Civil do Ceará. Um deles seria o rapaz apontado pela mãe como relacionamento recente; o outro é primo dele. Ambos foram autuados por estupro de vulnerável seguido de morte e, segundo a Dceca, foram conduzidos à delegacia apresentando sinais de embriaguez. As identidades dos dois não foram divulgadas pelas autoridades, que informaram que os suspeitos permanecem detidos em cela isolada.

Além da dupla presa, outras pessoas que estavam no apartamento na madrugada do crime também foram levadas para prestar esclarecimentos à polícia. A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) informou que os depoimentos fazem parte das diligências iniciais para reconstruir a dinâmica dos fatos e identificar a responsabilidade de cada um dos envolvidos, incluindo quem estava com a bebê no momento do crime e quem a levou até a unidade de saúde.

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O que ainda está em apuração

Apesar de a equipe médica ter identificado indícios de violência sexual no atendimento inicial, a SSPDS afirmou que a investigação segue apurando se a bebê foi, de fato, vítima de estupro. A hipótese de asfixia também está sendo analisada pelos peritos. A Polícia Civil aguarda os exames da Pefoce, considerados fundamentais para esclarecer a causa da morte e a dinâmica dos fatos, e também solicitou exames genéticos para comparar vestígios encontrados no corpo da bebê com material biológico dos investigados. Os resultados devem orientar a conclusão do inquérito e a eventual responsabilização criminal dos envolvidos.

A SSPDS informou, em nota, que detalhes sobre a dinâmica exata dos fatos não serão divulgados por enquanto, para preservar o andamento das diligências. A família não se pronunciou oficialmente sobre a investigação em curso.

Histórico de saúde da bebê desde o nascimento

Segundo relato da avó materna de Helena, Janaina, a menina nasceu em setembro de 2025, quando a mãe, Yzabelle, foi submetida à sua quarta cesariana. De acordo com Janaina, durante o procedimento houve uma perfuração na bexiga de Yzabelle, e a cirurgia teria sido realizada antes de completar 38 semanas de gestação. Ainda segundo o relato da avó, Helena nasceu sem chorar e precisou ser reanimada pela equipe médica na sala de parto, sendo levada em seguida para a UTI neonatal, onde permaneceu internada nos primeiros dias de vida.

Mãe é alvo de ataques nas redes sociais

Desde que o caso ganhou repercussão, Yzabelle tem sido alvo de ataques em redes sociais, com internautas atribuindo a ela responsabilidade pela morte da filha. Familiares da bebê vieram a público para relatar o histórico de saúde de Helena desde o nascimento e pedir cautela nas manifestações sobre o caso enquanto a investigação está em curso.

Repercussão

A morte de Helena gerou forte comoção em Fortaleza e no restante do país, com manifestações de indignação nas redes sociais e cobranças por justiça. O caso reacendeu o debate público sobre a violência sexual contra crianças no Brasil. A menina foi sepultada na terça-feira (14).

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