A influenciadora Mirian Mônica da Silva, investigada por envolvimento em um esquema de tráfico e lavagem de dinheiro, já havia sido denunciada por ameaçar e expor dados de uma mulher no Amazonas. Embora o caso anterior tenha sido encerrado, a nova operação revela uma rede criminosa com atuação em vários estados.
Investigada em uma operação que apura um esquema nacional de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro por meio de apostas ilegais, a influenciadora Mirian Mônica da Silva, chamada nas redes de “Cavalona do Pó”, já havia se envolvido em outro caso policial no Amazonas, relacionado a ameaças e difamação.
Segundo registro feito na Polícia Civil do Amazonas (PCAM), em novembro de 2024 uma mulher procurou a delegacia após receber mensagens intimidatórias enviadas por Mirian. Entre as ameaças estavam frases como: “Você está mexendo com a pessoa errada”, “Vou acabar com você” e “Tenho todos os seus dados”.
A situação teve início depois que a influenciadora acusou a vítima de aplicar um golpe em sua loja de calçados, causando um prejuízo de R$ 3 mil. A mulher, no entanto, negou qualquer envolvimento e afirmou que sequer conhecia a empresária.
Além das mensagens, Mirian publicou nos stories do perfil da loja fotos, nome completo e outras informações pessoais da vítima. A mulher também relatou ter sido abordada por desconhecidos, que afirmaram que esse tipo de atitude não seria isolado. Um deles chegou a mencionar que a influenciadora seria casada com um traficante.
Ao prestar depoimento, Mirian alegou ter sido enganada em uma transação e afirmou que encontrou um comprovante de Pix com um e-mail que associou à vítima. A partir disso, passou a responsabilizá-la e enviou as mensagens.
Mesmo com os elementos reunidos, o caso não teve continuidade na Justiça porque a vítima não compareceu às audiências, o que levou à extinção da punibilidade.
Operação Resina Oculta
A nova investigação coloca a influenciadora no centro de um esquema considerado complexo e de grande porte. Deflagrada nesta quinta-feira (19), a Operação Resina Oculta revelou uma estrutura criminosa voltada ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro.
A ação, conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), identificou o uso de empresas de fachada, pessoas interpostas e plataformas clandestinas de apostas — conhecidas como bets — para movimentar recursos obtidos com a venda de drogas como haxixe, skunk e cocaína.
De acordo com as apurações, uma loja de calçados ligada à influenciadora teria recebido, ao longo de 2025, valores provenientes de traficantes que atuam no Distrito Federal.
A ofensiva policial ocorreu de forma simultânea no DF, Goiás, Maranhão e Amazonas, com o cumprimento de 41 mandados de busca e apreensão e nove ordens de prisão. A Justiça também determinou o bloqueio de contas de 50 empresas, com limite de até R$ 15 milhões por CNPJ, além da apreensão de sete veículos de luxo.
As investigações apontam ainda que grandes quantias eram enviadas com frequência para a região Norte, principalmente para cidades próximas a áreas de fronteira. Manaus aparece como um dos principais centros de circulação e ocultação desses recursos.
Nas redes sociais, Mirian mantinha uma imagem de alto padrão, com viagens internacionais, hospedagens sofisticadas e consumo de produtos de luxo. Para os investigadores, esse estilo de vida não condiz com a renda declarada e pode ter sido utilizado para dar aparência de legalidade ao dinheiro de origem criminosa.
A Operação Resina Oculta começou em outubro de 2025, após a apreensão de mais de 47 quilos de haxixe e quase 900 gramas de skunk no Riacho Fundo, no Distrito Federal. A partir desse episódio, a polícia identificou uma organização estruturada que atuava no abastecimento de drogas em toda a região.
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