Samir Xaud, em uma de suas primeiras ações no cargo, cancelou o uniforme polêmico autorizado por seu antecessor, Ednaldo Rodrigues. A justificativa: falta de identificação com as cores da bandeira nacional. A nova camisa 2 será azul.
O novo presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Samir Xaud, confirmou uma ação de grande repercussão logo no início de seu mandato: a suspensão imediata da produção da polêmica camisa vermelha da Seleção Brasileira, que estava sendo fabricada pela Nike. O encontro de urgência entre Xaud e a gigante de material esportivo aconteceu logo após sua posse, no lugar de Ednaldo Rodrigues, que havia autorizado a confecção do uniforme.
Xaud explicou que sua decisão não teve motivação política, mas sim uma questão de identidade com o país.
“Muita gente levou para o lado político. Eu levei para o lado do Brasil, das cores da bandeira do Brasil. Azul, amarelo, verde e branco são cores das nossas bandeiras e são as cores que têm que ser seguidas”, declarou.
Ele enfatizou que sua oposição à camisa vermelha é unicamente por uma questão de estética e tradição, e não por alinhamento político.
Nike prepara a nova camisa
O presidente revelou que o veto à camisa vermelha foi imediato. “Realmente estava em produção. Fiz uma reunião urgente com a Nike, pedi que parasse a produção. Eu particularmente não gostei”, analisou Xaud. Segundo ele, a empresa entendeu os motivos e prontamente iniciou a produção da nova camisa, que, conforme apurou a CNN, será na cor azul.
Xaud adiantou que o novo uniforme será “muito bonito” e reforçou a necessidade de resgatar o torcedor pelo futebol, afastando as questões políticas do esporte.
“Essas discussões políticas não podem entrar em campo ou interferir na Seleção Brasileira. Antes dessa questão política, da camisa vermelha, todos vestiam amarelo”, finalizou o presidente.
Camiseta da seleção além dos campos
Apesar da fala do presidente da CBF, o uniforme já havia se tornado um campo de batalha simbólico. A rejeição não foi apenas do espectro da direita. A cor vermelha, historicamente associada a partidos e movimentos de esquerda no Brasil, como o PT, gerou uma intensa reação de políticos e figuras públicas ligadas à direita, que viram a iniciativa como uma tentativa de politizar o uniforme.
“Quero acreditar que isso não é verdade! A camisa da Seleção sempre foi um símbolo da nossa identidade nacional… Nossa bandeira não é vermelha, e nunca será!”, publicou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em suas redes sociais na época.
O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso, também se manifestou, embora com um tom diferente. Ele defendeu que as cores da seleção “representam o que nos distingue no mundo” e que a “discussão não tem cabimento”. A polêmica chegou a motivar a apresentação de um projeto de lei por um deputado federal do PL para proibir o uso de cores que não estejam na bandeira nacional.