Uma megaoperação nos Complexos do Alemão e da Penha revelou o forte esquema de segurança do traficante Edgar Alves Andrade, o Doca, líder do Comando Vermelho. Cerca de 70 homens faziam sua proteção durante a ação, que resultou na morte de 64 pessoas. Mesmo com a mobilização, Doca conseguiu escapar. A polícia oferece R$ 100 mil por informações sobre seu paradeiro.
Uma megaoperação policial realizada nos Complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, revelou a extensa estrutura de proteção de Edgar Alves Andrade, conhecido como Doca ou Urso, principal líder do Comando Vermelho (CV) na região. Segundo informações de analistas, aproximadamente 70 criminosos faziam a segurança do traficante durante a ação, que ocorreu na terça-feira (28). Apesar da magnitude da operação, Doca conseguiu escapar.
A ação policial é considerada a mais letal da história do Rio. De acordo com dados do Ministério Público divulgados nesta quarta-feira (29), 132 pessoas foram mortas nos confrontos. As forças de segurança do Rio falam em 119 mortos.
Além de Doca, outros líderes do CV eram alvos prioritários, incluindo Carlos da Costa Neves, conhecido como Gadernau, e Juan Breno Malta Ramos Rodrigues, o BMW. A operação tinha como objetivo cumprir 100 mandados de prisão, além de desarticular a estrutura logística da facção na região.
O Disque Denúncia oferece atualmente uma recompensa de R$ 100 mil por informações que levem à captura de Doca, valor equivalente ao que foi oferecido por informações do paradeiro de Fernandinho Beira-Mar quando ele fugiu para a Colômbia. A polícia acredita que o alto número de homens protegendo Doca reflete a importância estratégica do líder dentro do Comando Vermelho.
Chefes da facção recebem treinamento de guerrilha
De acordo com especialistas, os chefes da facção recebem treinamento de guerrilha e proteção pessoal, o que torna a aproximação dos policiais extremamente arriscada. Para chegar até Doca, seria necessário passar por múltiplas barreiras de criminosos altamente armados.
A operação foi planejada de forma rápida, ao contrário da histórica ação no Complexo do Alemão em 2010, que contou com planejamento detalhado e apoio das Forças Armadas. Essa abordagem de efeito surpresa pode ter contribuído para o elevado número de confrontos e vítimas.
Segundo autoridades, a ação foi conduzida com mais de 2,5 mil agentes das forças de segurança, incluindo Polícia Civil, Polícia Militar e unidades especiais, e faz parte de um esforço contínuo para conter a expansão territorial do Comando Vermelho, que nos últimos anos tem ampliado sua atuação na cidade e em outros estados.
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