Na feira permanente do Setor P Norte, em Ceilândia, Distrito Federal, a rotina de comércio ganhou um elemento inusitado: a venda de cerveja se tornou um verdadeiro espetáculo de sedução. Jovens com idades entre 17 e 25 anos, conhecidas como “iscas”, usam roupas mínimas, maquiagem chamativa e comportamento desinibido para atrair clientes e estimular o consumo. A prática vem chamando atenção por transformar o ato de comprar bebida em uma experiência provocante.
As bancas, cada uma operada por até seis garotas, funcionam de forma estratégica. Cada jovem precisa vender, no mínimo, 15 garrafas por dia, o que equivale a cerca de R$ 225 em faturamento diário. O pagamento ocorre em comissão: R$ 5 por garrafa vendida, somados ao reembolso da passagem de ida e volta. Com dedicação e metas batidas, algumas conseguem faturar até R$ 800 por semana.
Apesar do tom sensual das abordagens, as garotas afirmam não realizar programas pagos. Segundo relatos, o objetivo é exclusivamente trabalhar na venda de bebidas e aproveitar a autonomia financeira que o trabalho proporciona. No entanto, a presença de menores de idade no local, incluindo jovens de 17 anos, levanta questões sobre exploração e segurança.
O estilo de venda evidencia uma combinação entre comércio e performance, em que a provocação visual é usada como ferramenta de marketing. Cada detalhe das roupas — shorts curtos, minissaias, microvestidos — é pensado para chamar atenção e incentivar os clientes a consumir mais. A dinâmica do trabalho reforça a importância do esforço físico e social das jovens, que precisam se desdobrar para atender simultaneamente aos clientes e cumprir suas metas diárias.
Especialistas em direitos do consumidor e adolescentes alertam que, embora o trabalho gere renda para as jovens, é necessário acompanhamento quanto às normas legais e proteção dos menores envolvidos. Enquanto isso, a prática segue movimentando a feira de Ceilândia, atraindo curiosos e levantando debates sobre limites do trabalho informal, exploração e sexualização precoce.