O acidente com o Césio-137, ocorrido em Goiânia em 1987, é considerado o maior desastre radiológico do mundo fora de uma usina nuclear. A tragédia começou com o manuseio indevido de um aparelho de radioterapia abandonado e resultou em quatro mortes confirmadas, além de mais de mil pessoas afetadas pela radiação. Quase quatro décadas depois, o episódio voltou com o lançamento de uma série que reconta a história do acidente.
O acidente com o Césio-137 marcou a história do Brasil como o mais grave desastre radiológico já registrado fora de uma usina nuclear. A tragédia aconteceu em setembro de 1987, em Goiânia, e deixou um rastro de mortes, contaminação em massa e impactos que se estendem até hoje.
Ao todo, quatro pessoas morreram em decorrência direta da exposição à substância radioativa. As vítimas foram Leide das Neves Ferreira, de 6 anos, Maria Gabriela Ferreira, de 37, Israel Batista dos Santos, de 22, e Admilson Alves de Souza, de 18.

Leide das Neves Ferreira, de 6 anos. Imagem: reprodução
Além das mortes, o número de afetados foi muito maior. Segundo dados oficiais, 249 pessoas apresentaram contaminação pelo material, sendo que 129 tinham resíduos do Césio-137 no corpo. Dessas, 49 precisaram ser hospitalizadas e 20 ficaram em estado grave, necessitando de cuidados intensivos.

Imagem: reprodução
Como tudo aconteceu
A tragédia começou quando dois catadores encontraram um aparelho de radioterapia abandonado em uma clínica desativada. Sem saber do perigo, eles desmontaram o equipamento e venderam as peças a um ferro-velho.
Dentro do aparelho havia uma cápsula com cerca de 19 gramas de Césio-137, um material altamente radioativo que emite radiação gama — capaz de penetrar no corpo humano e causar danos graves às células e ao DNA.

Foto: divulgação
O pó chamou atenção por um detalhe curioso e perigoso: ele brilhava no escuro. Encantadas com o efeito, várias pessoas manipularam o material e o levaram para casa, espalhando a contaminação por diferentes pontos da cidade.

Foto: divulgação
Descoberta e contenção
A gravidade da situação só foi percebida dias depois, quando pessoas que tiveram contato com o material começaram a apresentar sintomas como vômito, tontura e queimaduras.
A substância foi levada à Vigilância Sanitária, onde se confirmou o risco. A partir daí, uma grande operação foi iniciada para conter a contaminação.

Depósito de Césio 137 em Abadia de Goiás – GO
Cerca de 6 mil toneladas de resíduos radioativos foram recolhidas em Goiânia e armazenadas em estruturas de concreto em Abadia de Goiás. Apesar da descontaminação, especialistas apontam que o material ainda levará cerca de 200 anos para perder totalmente sua radioatividade.

Depósito de Césio 137 em Abadia de Goiás – GO
Impactos que permanecem
Mesmo após quase 40 anos, as consequências do acidente ainda são sentidas por sobreviventes e familiares das vítimas. Muitos desenvolveram problemas de saúde e enfrentaram impactos psicológicos profundos. O caso também deixou um legado de alerta sobre o manuseio de materiais radioativos e a importância da fiscalização.
Recentemente, o tema voltou à tona após o desaparecimento de fontes de Césio-137 em uma mineradora em Minas Gerais, reacendendo preocupações sobre segurança e riscos envolvendo a substância.
Série relembra tragédia
O acidente voltou ao centro das atenções também por causa da série Emergência Radioativa, lançada pela plataforma de streaming.

Imagem: divulgação
A produção revisita os acontecimentos de 1987, destacando o impacto da negligência, o trabalho de cientistas brasileiros e o drama vivido pelas vítimas. A trama também chama atenção para o fato de que apenas 19 gramas do material radioativo foram suficientes para gerar cerca de 6 mil toneladas de lixo contaminado.
Além de recontar os fatos, a série busca preservar a memória do caso e reforçar a importância de evitar que tragédias semelhantes se repitam.
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