Investigações da megaoperação nos Complexos do Alemão e da Penha revelam que chefes do Comando Vermelho, como Edgar Alves de Andrade (Doca), Juan Breno Ramos (BMW) e Carlos Costa Neves (Gadernal), organizam torturas, assassinatos e escalas de segurança via aplicativos de mensagens. Vítimas, como Aldenir Martins do Monte Junior, sofrem agressões enquanto os líderes coordenam e debocham das ações. Doca, foragido, é apontado como responsável pela expansão do CV na cidade.
As investigações que deram origem à megaoperação realizada nesta terça-feira (28) nos Complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, revelaram detalhes inéditos sobre a estrutura interna do Comando Vermelho (CV). Líderes da facção, como Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca ou Urso, Juan Breno Ramos, apelidado de BMW, e Carlos Costa Neves, o Gadernal, utilizam aplicativos de mensagens para coordenar atividades criminosas, que vão desde torturas e homicídios até a organização de segurança em pontos de venda de drogas.
Segundo os levantamentos policiais, as punições aplicadas aos moradores e integrantes da quadrilha são violentas e, muitas vezes, ritualizadas. Mulheres eram colocadas em galões de gelo para punir brigas em bailes funk e moradores que desobedeciam às ordens da facção eram submetidos a sessões de espancamento. Em um dos casos, um homem identificado como Aldenir Martins do Monte Junior foi arrastado por sete minutos nas ruas da comunidade, algemado e amordaçado, enquanto era obrigado a delatar integrantes de quadrilhas rivais.
Durante a tortura de Aldenir, o criminoso BMW realizou uma chamada de vídeo com Gadernal, debochando da vítima enquanto executava a ação. Até o momento, a polícia acredita que Aldenir tenha sido assassinado. Esses casos demonstram não apenas a brutalidade do CV, mas também a organização e a comunicação rápida entre os líderes, mesmo à distância.

Traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca — Foto: Reprodução
Além das punições, os líderes da facção utilizam os aplicativos para definir a escala de seguranças que atuam nos pontos de venda de drogas e coordenar a proteção direta de Doca. Em uma das mensagens investigadas, o traficante foi informado que teria seis homens armados em sua segurança no dia seguinte. Esse controle rígido mostra a complexidade e a disciplina interna do CV, que consegue manter a ordem entre seus membros e garantir a proteção de seus chefes.
Doca, BMW e Gadernal já foram denunciados pelo Ministério Público estadual pelos assassinatos de três médicos na Barra da Tijuca, em 2023. Doca, em especial, possui 269 anotações criminais e 26 mandados de prisão pendentes, sendo apontado como responsável pela expansão territorial do Comando Vermelho na cidade do Rio de Janeiro. Apesar do cerco policial na megaoperação, Doca conseguiu escapar e permanece foragido.
A megaoperação, que mobilizou cerca de 2,5 mil agentes de diversas corporações, resultou na morte de 132 pessoas até o momento e na prisão de 81 suspeitos. A ação também incluiu apreensão de armas, drogas e veículos utilizados pelos criminosos. Segundo o Palácio Guanabara, o objetivo era conter o avanço territorial do CV e desarticular sua base logística, visando reduzir a violência e recuperar áreas controladas pela facção.

O criminoso Gadernal transmite por videochamada a tortura a um homem arrastado pelas ruas da comunidade — Foto: Reprodução

Moradores dos complexos do Alemão e da Penha são punidos por traficantes caso briguem em bailes funks — Foto: Reprodução