Em uma descoberta que desafia a biologia, pesquisadores da Universidade de Washington e da Universidade da Flórida encontraram uma característica inédita em vertebrados: o peixe-rato pintado, uma espécie de quimera, possui dentes na testa. A descoberta, publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, deste mês, revela que a estrutura é usada pelos machos para se agarrar às fêmeas durante a reprodução.

Um peixe-rato macho e seu tenáculo — Foto: Universidade da Flórida
Um peixe-rato macho e seu tenáculo — Foto: Universidade da Flórida

Em uma descoberta que desafia a biologia, pesquisadores da Universidade de Washington e da Universidade da Flórida encontraram uma característica inédita em vertebrados: o peixe-rato pintado, uma espécie de quimera, possui dentes na testa. A descoberta, publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, deste mês, revela que a estrutura é usada pelos machos para se agarrar às fêmeas durante a reprodução.

O tenáculo, um apêndice cartilaginoso na testa dos machos, começa como uma pequena protuberância e cresce até se curvar, coberto por dentes. Segundo os pesquisadores, essa estrutura serve para o macho segurar a fêmea pelas nadadeiras peitorais durante o acasalamento, impedindo que se soltem.

A descoberta surpreendeu os cientistas, que analisaram centenas de peixes-ratos. Karly Cohen, uma das pesquisadoras, disse que a característica “derruba a antiga suposição de que dentes são estruturas apenas orais”. A pesquisa mostrou que os dentes do tenáculo se desenvolvem a partir da mesma faixa de tecido que os dentes da mandíbula, uma lâmina dental que nunca tinha sido documentada fora da boca.

Revisão da evolução dos dentes
A nova descoberta pode mudar a forma como os cientistas entendem a evolução dos dentes em vertebrados. “Se essas quimeras estão colocando dentes na frente da cabeça, precisamos repensar a dinâmica do desenvolvimento dental em vertebrados”, afirmou Gareth Fraser, autor sênior do estudo.

O peixe-rato pintado é uma espécie de peixe cartilaginoso que se separou dos tubarões há milhões de anos.

O estudo destaca que a exploração de espécies pouco conhecidas pode revelar segredos importantes sobre a evolução. A pesquisa foi financiada por diversas instituições, incluindo a National Science Foundation e a Save Our Seas Foundation.

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