A faloplastia de aumento vem ganhando popularidade no Brasil, especialmente em estados como São Paulo e Rio de Janeiro. Apesar da procura crescente, médicos alertam que o ganho médio é modesto e que há riscos significativos, incluindo perda de sensibilidade, deformidades e necessidade de cirurgias reparadoras. Especialistas recomendam avaliação médica e psicológica antes de optar pelo procedimento.

Foto: reprodução/Istock
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Nos últimos anos, a cirurgia de aumento peniano, conhecida como faloplastia de aumento, vem chamando cada vez mais a atenção dos brasileiros. Impulsionada por padrões estéticos reforçados pelas redes sociais, filmes adultos e aplicativos de relacionamento, a busca pelo procedimento aumentou significativamente. De acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), nos últimos 10 anos, foram realizadas 15.414 cirurgias no mundo, sendo 1.316 no Brasil.

Apesar do crescimento na procura, especialistas reforçam que os resultados nem sempre correspondem às expectativas criadas. Um estudo publicado na revista European Urology, com 42 pacientes submetidos à técnica de seccionamento do ligamento suspensor, uma das mais utilizadas, mostrou que o ganho médio foi de apenas 1,3 cm no comprimento do pênis. Ainda assim, dois terços dos homens que passaram pelo procedimento se declararam insatisfeitos com o resultado.

O problema vai além da frustração estética. A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e o Conselho Federal de Medicina (CFM) não reconhecem a cirurgia com fins puramente estéticos, autorizando-a apenas em casos específicos, como micropênis ou malformações congênitas. Isso porque os riscos associados ao procedimento são altos e podem comprometer funções vitais do órgão, como a ereção e a sensibilidade.

Uma revisão britânica que analisou mais de 1.100 casos concluiu que os riscos são consideráveis: há relatos de cicatrizes graves, deformidades permanentes, dormência e até disfunção erétil. Outro levantamento divulgado pela ISAPS aponta que até 30% dos pacientes podem necessitar de cirurgias reparadoras após a faloplastia.

Além do risco físico, há um aspecto psicológico que precisa ser considerado. Pesquisas da Unifesp mostram que 45% dos homens se dizem insatisfeitos com o tamanho do pênis, mas apenas 12% apresentam alterações anatômicas reais. Ou seja, na maior parte dos casos, a percepção de inadequação não está relacionada a uma questão física, e sim emocional. Especialistas alertam que a pressão estética, intensificada pela exposição a conteúdos pornográficos e padrões irreais, tem levado muitos homens a procurar a cirurgia sem necessidade real. Por isso, diversos médicos recomendam que o paciente passe por avaliação psicológica antes de optar pelo procedimento.

Outra questão relevante é o custo. No Brasil, os valores da cirurgia variam entre R$ 18 mil e R$ 45 mil, dependendo da técnica utilizada, da equipe médica e da estrutura hospitalar. Mesmo com investimentos altos, o resultado pode ser modesto e, em alguns casos, gerar sequelas permanentes. Além disso, existem alternativas menos invasivas, como o preenchimento com ácido hialurônico e exercícios penianos supervisionados, mas os efeitos são limitados e temporários.

A busca por centímetros a mais também levanta debates sobre masculinidade e autoestima. Especialistas destacam que o tamanho do pênis não está diretamente relacionado ao prazer sexual e que a insatisfação muitas vezes vem de uma comparação irreal com padrões exibidos na mídia. Para muitos médicos, a cirurgia deveria ser encarada como última alternativa, considerando os riscos e a baixa taxa de satisfação entre os pacientes.

Os cinco maiores riscos da cirurgia, segundo especialistas

  • Perda parcial ou total da sensibilidade

  • Disfunção erétil e dificuldade de manter relações sexuais

  • Infecções graves e complicações na cicatrização

  • Deformidades e assimetrias permanentes

  • Necessidade de novas cirurgias reparadoras

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