O ex-delegado-geral Ruy Fontes foi assassinado pelo PCC em Praia Grande, litoral paulista, após décadas de combate à facção, que hoje reúne cerca de 40 mil membros e se espalha pelo Brasil. Fontes ajudou a mapear a organização e enfrentou líderes como Marcola, tornando-se alvo da máfia, que ameaça autoridades e amplia sua influência financeira e criminosa.

Foto: reprodução/AFP
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A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) confirmou nesta semana que o Primeiro Comando da Capital (PCC) foi responsável pelo assassinato do ex-delegado-geral da Polícia Civil do estado, Ruy Ferraz Fontes, ocorrido na segunda-feira (15), em Praia Grande, litoral paulista. A morte reacende a preocupação das autoridades sobre a necessidade de ações mais efetivas contra a facção criminosa mais poderosa do país.

O PCC surgiu há mais de 30 anos em uma prisão paulista e, até 2006, contava com aproximadamente 5 mil membros, exclusivamente em São Paulo. Hoje, estima-se que a organização reúna cerca de 40 mil integrantes e já é considerada uma máfia, segundo o promotor Lincoln Gakiya, que acompanha há décadas a atuação do grupo. “O que nos preocupa é que a organização está tomando tamanho de máfia, se infiltrando no estado, participando de licitações de estado. Isso é característico de máfias, como a gente já viu na Itália…”, afirmou o promotor, destacando que operações recentes atuam para asfixiar financeiramente a facção.

Ruy Fontes tinha 64 anos, estava aposentado, mas continuava armado e atuava como Secretário da Administração em Praia Grande, um dos redutos do PCC em São Paulo. O ex-delegado não possuía escolta, apesar de ter enfrentado a facção ao longo da carreira. Sua atuação incluiu a prisão de Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, líder do PCC, em 1999 por formação de quadrilha.

Ao longo de sua trajetória, Ruy foi um dos primeiros a estruturar o organograma do Primeiro Comando da Capital, identificando integrantes, suas funções e atividades criminosas, como o tráfico de drogas. As informações compiladas pelo ex-policial passaram a ser compartilhadas entre polícias, Ministério Público e Justiça, dificultando operações da facção e irritando a cúpula do PCC, especialmente após a prisão de seus líderes em diversas operações conduzidas pela polícia e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Segundo o promotor Gakiya, a ascensão do PCC e sua organização financeira se assemelham ao modelo de máfias tradicionais, como as da Itália. A facção se espalhou pelo Brasil e pelo mundo, tornando-se uma das mais influentes e perigosas do país, com membros atuando inclusive fora do território paulista.

A morte de Ruy Fontes demonstra o risco contínuo enfrentado por autoridades que investigam e combatem o PCC. Promotores, policiais e juízes ligados ao enfrentamento da facção têm recebido ameaças de morte, evidenciando o alcance e a periculosidade da organização criminosa. A SSP-SP reforça que o caso segue sob investigação, enquanto cresce a pressão para estratégias mais intensas de combate ao Primeiro Comando da Capital.

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