Congelamento pós-morte desperta interesse em possível ressurreição no futuro
Já pensou morrer, ter o corpo congelado, e aguardar que a ciência possa ressuscitá-lo daqui alguns anos? Pois é, o congelamento de corpos humanos já é uma realidade desde da década de 1960. Hoje, com as pesquisas ainda mais evoluídas, empresas tentam avançar na medicina e tecnologia para que possam permitir a reanimação de humanos e animais.
A empresa, chamada Tomorrow Bio, que tem um brasileiro liderando, já iniciou o processo de criopreservação em seis pacientes humanos, além de cinco animais de estimação. Mesmo sem garantias científicas de reversão do processo, a iniciativa atrai interessados no mundo todo. Atualmente, mais de 650 pessoas estão na fila de espera pelo serviço, segundo reportagem publicada pelo jornal britânico Daily Mail. Nossa equipe de reportagem entrou em contato com a empresa, inclusive para uma visita no local, estamos aguardando um retorno. O espaço segue aberto.
Preço alto e fila de espera não desanimam interessados
O procedimento não é acessível. Para preservar o corpo completo, o interessado precisa desembolsar o valor em torno de mais de R$ 1,4 milhão. Quem optar por preservar apenas a cabeça, em um processo conhecido como neurocriopreservação, paga aproximadamente R$ 460 mil.
Apesar dos altos custos e das incertezas sobre a viabilidade da reanimação, o modelo de negócio tem atraído clientes de diferentes perfis e partes do mundo. Segundo o brasileiro Fernando Azevedo Pinheiro, cofundador da Tomorrow Bio, a motivação varia entre curiosidade científica, desejo de prolongar a vida e até medo da morte.
“Muitos clientes estão fascinados pelas possibilidades de tecnologias e experiências futuras, como viagens espaciais. Para alguns, a motivação primária é o medo de morrer. A criopreservação oferece a eles esperança e uma sensação de segurança, fornecendo um caminho potencial para estender suas vidas”, explicou.
Processo envolve congelamento imediato após a morte
O sucesso do procedimento, segundo a empresa, depende da rapidez com que ele é iniciado após a constatação legal da morte. Por isso, a empresa utiliza ambulâncias equipadas como centros cirúrgicos móveis, onde a crioproteção começa imediatamente.
Após o óbito, o corpo é colocado em uma banheira com gelo e recebe suporte circulatório e respiratório mecânico para retardar a decomposição. Em seguida, é transportado até o centro de armazenamento, localizado na Suíça.
O resfriamento do corpo ocorre de forma gradual ao longo de dez dias, até atingir -196°C. Nesse estágio, o corpo é transferido para um tanque de aço inoxidável, hermeticamente fechado e preenchido com nitrogênio líquido. O objetivo é manter o organismo em estado estático, sem degradação, até que a ciência seja capaz de reverter a morte clínica.
Expectativas futuras e limites éticos
A empresa se apresenta como a primeira da Europa a oferecer crioproteção de campo — ou seja, a capacidade de iniciar o processo de conservação logo após a morte, o que, teoricamente, aumentaria as chances de sucesso em uma eventual reanimação.
Fernando Pinheiro, de 40 anos, acredita que poderá testemunhar os avanços necessários ainda em vida.
“Pessoalmente, acredito que durante a minha vida poderemos testemunhar a criopreservação segura e a reanimação de organismos complexos”, afirmou.
Apesar do otimismo, a criopreservação humana permanece uma prática controversa. Até o momento, não há evidências científicas de que seja possível restaurar as funções vitais de um corpo após ser submetido a congelamento profundo. No entanto, para os entusiastas, trata-se de uma aposta na ciência do futuro.
Conversamos com o médico legista, Zeno Morrone Junior, que nos tirou algumas dúvidas em relação a técnica – dificil e contraditória ao mesmo tempo, segundo Zeno. Por não entender como pode descongelar o corpo sem sangue, uma série de substâncias que não são próprias do organismo, é dificil reverter isso.
“É um processo muito antigo. O congelamento é uma coisa muito trabalhosa e muito dificil, diferente do que fazemos no IML. Nós simplesmente resfriamos o corpo, porque a putrefação se inicia imediatamente após a morte. Na parte intestinal nós temos inúmeras bactérias que convivem conosco e elas começam a se proliferar. Então a primeira coisa que ocorre no organismo é a putrefação na região abdominal, principalmente na parte do intestino. Em 24 horas, após a morte, já existe uma mancha no abdômem de coloração esverdeada, que nós na medicina legal, chamamos de mancha verde. Essa mancha traduz que a pessoa morreu entre 24 e 36 horas. Tudo muito diferente no caso do congelamento. No IML, o cadáver é resfriado numa temperatura de dois graus para garantir a permanencia de 72 horas no máximo.
Segundo o doutor Zeno, a criogênia, que é o congelamento por nitrogênio, é um processo extremamente trabalhoso porque o nosso organismo é feito de grande parte de água, e se você faz gelo da água, ele pode quebrar.
“Imediatamente após a morte o corpo é resfriado e após esse processo o sangue é substituido. Vem um cirurgião e faz a uma circulação extra corpórea como se fosse operar o coração. É essa circulação que justamente substitui todo o sangue por uma substância, que eu não sei dizer qual é. Mas é uma substância que vai fazer que as células tenham a menor quantidade de água possível para não ocorrer a quebra”

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