As duas ganharam notoriedade por atuar lado a lado nas vitrines do red light district, o que inicialmente confundia alguns frequentadores. Com o sucesso, passaram a atender pedidos variados e se tornaram bem-sucedidas no mercado

Gêmeas Louise e Martine Fokkens (Foto: Reprodução)
Gêmeas Louise e Martine Fokkens (Foto: Reprodução)

Com centenas de vitrines e cerca de 300 janelas, o famoso Distrito da Luz Vermelha, em Amsterdã, é um dos locais mais emblemáticos ligados à história da prostituição na Holanda. A região de De Wallen reúne bordéis e estabelecimentos adultos e se tornou um ponto turístico conhecido na capital holandesa.

Foi nesse cenário iluminado por luzes neon que as irmãs gêmeas Louise e Martine Fokkens iniciaram e consolidaram a carreira no trabalho sexual. Com décadas de experiência, elas seguiram na atividade mesmo na terceira idade, tornando-se figuras conhecidas no bairro.

Hoje, com 83 anos, as duas falam abertamente sobre a profissão e dizem encarar a trajetória com tranquilidade. Ao longo dos anos, afirmam ter atendido 355 mil homens, construindo uma história incomum que chama atenção dentro e fora da Holanda.

Primeiro contato de Louise e Martine no bordel

Aos 17 anos, Louise foi a primeira das gêmeas a ter contato com o ambiente dos bordéis em Amsterdã. Ainda jovem, após se casar na adolescência, acabou sendo levada pelo então marido ao Distrito da Luz Vermelha como alternativa para aumentar a renda da família, que já tinha filhos e enfrentava dificuldades financeiras.

A proposta incluía a promessa de independência financeira e a ideia de que o trabalho seria temporário. Na prática, porém, Louise não tinha controle sobre o dinheiro que recebia e vivia sob um relacionamento marcado por violência. Com o tempo, ela conseguiu se afastar do marido, mas decidiu continuar atuando na região de De Wallen.

Mais tarde, a irmã Martine também se aproximou desse universo. Casada e em meio a problemas no relacionamento, ela e o companheiro estavam sem emprego e precisavam de recursos. Inicialmente, a entrada de Martine no bordel ocorreu por indicação de Louise, que sugeriu uma vaga de limpeza no local. Diante da necessidade, o casal concordou com a alternativa como forma de obter renda.

Popularidade cresce no Distrito da Luz Vermelha

Com as duas irmãs atuando no mesmo bordel, a semelhança entre elas passou a chamar atenção dos frequentadores. No início, alguns clientes chegavam a confundi-las, mas, quando perceberam que se tratavam de duas pessoas diferentes, isso acabou despertando ainda mais interesse e ampliando a procura pelos serviços das gêmeas: o sexto a três.

A popularidade de Louise e Martine cresceu rapidamente no Distrito da Luz Vermelha. Muitos clientes se tornaram assíduos e chegaram a demonstrar envolvimento afetivo, com propostas de casamento que não foram aceitas. A alta demanda fez com que elas se tornassem bastante conhecidas na região.

Ao longo da carreira, as irmãs atenderam perfis variados de clientes e lidaram com pedidos considerados incomuns dentro do contexto do trabalho sexual. Essa diversidade de experiências contribuiu para a reputação que construíram em décadas de atuação no bairro mais famoso de Amsterdã ligado à prostituição.

Bordel próprio marca nova fase

A notoriedade das irmãs Fokkens no Distrito da Luz Vermelha abriu caminho para que, na década de 1980, elas ampliassem a atuação no setor. Com a experiência acumulada, Louise e Martine investiram no próprio negócio e passaram a administrar um bordel na região de Koestraat, em Amsterdã. O empreendimento garantiu um período de estabilidade financeira, mas divergências com autoridades e outros donos de estabelecimentos levaram ao encerramento das atividades.

Depois disso, as duas voltaram a trabalhar nas tradicionais vitrines do bairro e também se envolveram em iniciativas de organização profissional. Elas participaram da criação do The Little Red, apontado como um dos primeiros sindicatos independentes voltados às profissionais do sexo na cidade. Ao longo dos anos, seguiram ativas, conciliando trabalho e vida pessoal.

Mesmo na terceira idade, as gêmeas permaneceram ligadas ao Distrito da Luz Vermelha. Com a fama que conquistaram, passaram a vender produtos autorais, como livros e lembranças, além de atuar como guias em passeios turísticos pela região.

Louise e Martine costumam relembrar com nostalgia o passado do bairro e dizem que as mudanças nas regras do setor alteraram a dinâmica do mercado. Apesar da trajetória marcante, afirmam em tom bem-humorado que não desejariam a mesma carreira para as filhas.

Relatos curiosos

Depois de muitos anos atuando no Distrito da Luz Vermelha, as irmãs passaram a compartilhar relatos curiosos sobre os bastidores da profissão. Elas descrevem ter conhecido clientes com pedidos inusitados e situações fora do comum, que iam de fantasias excêntricas a encontros com pessoas de alto status social, revelando um lado pouco conhecido desse universo.

Ao relembrar décadas de atuação no Distrito da Luz Vermelha, as irmãs Fokkens contaram episódios curiosos envolvendo clientes com comportamentos e pedidos pouco convencionais. Segundo elas, algumas histórias ficaram marcadas pelo tom excêntrico, como a de um homem que se dizia fascinado por personagens de fantasia, como: “gnoma suja”, “ele parecia prestes a explodir em confete”, disse ela. demonstrava grande empolgação durante os encontros.

Outras situações incluíram frequentadores que tentaram sair sem pagar pelos serviços, mas acabaram identificados. Em um dos casos citados, um cliente deixou para trás um item pessoal importante, o que o obrigou a retornar para acertar a pendência.

Louise também mencionou que, ao longo do trabalho, criou laços afetivos com um cliente assíduo que mais tarde se tornou uma figura conhecida na televisão holandesa. Já Martine relembrou uma proposta para se mudar ao exterior com apoio de um cliente, mas preferiu continuar a vida que já conhecia em Amsterdã.

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