O governo Lula adiou a aplicação da Lei da Reciprocidade contra os Estados Unidos, que previa resposta ao tarifaço de 50% imposto por Trump sobre produtos brasileiros. A medida, que seria analisada pela Camex, foi retirada da pauta após sinais de aproximação entre Lula e o presidente norte-americano. Diplomatas avaliam que qualquer retaliação neste momento poderia comprometer o diálogo em construção entre os dois países.

Conversa entre Lula e Trump adia aplicação da Lei da Reciprocidade contra os EUA
Conversa entre Lula e Trump adia aplicação da Lei da Reciprocidade contra os EUA

O governo brasileiro decidiu adiar a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos, após sinais de aproximação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o norte-americano Donald Trump. A cautela foi adotada para não comprometer o diálogo político que começa a se desenhar entre os dois líderes.

A discussão estava prevista para ser votada pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex) na última semana, mas acabou retirada da pauta. O tema surgiu após o governo Trump impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, o que levou o Itamaraty a acionar a Camex para avaliar uma resposta.

Apesar de haver prazo de até 30 dias para apresentação de um relatório com as estratégias de retaliação, diplomatas e integrantes do Gecex consideraram arriscado avançar no momento. A avaliação é que uma medida imediata poderia gerar novas sanções contra o Brasil e dificultar as negociações em andamento.

Declaração de Trump na ONU

O adiamento ganhou ainda mais força após a declaração de Trump durante a Assembleia Geral da ONU. O republicano afirmou ter conversado rapidamente com Lula e que ambos acertaram um diálogo mais aprofundado nesta semana. Para a diplomacia brasileira, a possibilidade de construção de uma relação entre os dois presidentes — vista até recentemente como improvável — exige maior prudência em qualquer sinalização de retaliação comercial.

Embora a reciprocidade seja considerada uma ferramenta legítima de defesa econômica, o tema passou a ser tratado como altamente sensível dentro do governo, justamente em razão das tratativas de bastidor para tentar preservar o canal de comunicação entre Brasília e Washington.

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