A investigação sobre o ataque brutal contra Ana Clara de Oliveira revelou novos indícios de possíveis crimes praticados pelos irmãos Ronivaldo Rocha dos Santos e Evangelista Rocha dos Santos, presos por tentativa de feminicídio em Quixeramobim, no Ceará. Conversas extraídas dos celulares dos suspeitos apontam para um suposto esquema de agiotagem, cobranças com juros abusivos e negociações relacionadas ao tráfico de drogas.
A Polícia Civil aponta que os irmãos Ronivaldo Rocha dos Santos, de 40 anos, e Evangelista Rocha dos Santos, de 34, investigados pelo ataque brutal contra a jovem Ana Clara de Oliveira, também seriam envolvidos em outros crimes, entre eles agiotagem, extorsão e tráfico de drogas.

Namorado e cunhado usaram foice para decepar mãos de mulher em Quixeramobim (CE) (Foto: Reprodução)
De acordo com as investigações, os dois atuavam juntos em um esquema criminoso ligado à cobrança de empréstimos ilegais. Ambos foram indiciados por tentativa de feminicídio.
O crime ocorreu na madrugada de 1º de maio, no município de Quixeramobim, no Ceará. Conforme o inquérito, Ronivaldo, que mantinha um relacionamento com Ana Clara havia cerca de dois anos, discutiu com a vítima pouco antes do ataque.
Em seguida, ele teria buscado o irmão, Evangelista, que invadiu a residência da jovem ao pular o muro do imóvel e a atacou com golpes de foice, causando ferimentos gravíssimos.
Polícia encontra mensagens
Segundo as investigações, Ronivaldo Rocha dos Santos já tinha passagem pela polícia por crimes como lesão corporal e ameaça no contexto de violência doméstica, além de responder por agiotagem e porte ilegal de arma de fogo. Já o irmão dele, Evangelista Rocha dos Santos, não possuía registros criminais anteriores.
A apuração da Polícia Civil também revelou mensagens extraídas dos celulares dos suspeitos após a quebra de sigilo telefônico. Os diálogos indicam que os irmãos atuavam juntos em um esquema de empréstimos ilegais.
Conforme os investigadores, Ronivaldo seria responsável pelas cobranças financeiras, enquanto Evangelista auxiliava na recuperação dos valores devidos. Durante as diligências, os policiais ainda localizaram com Ronivaldo um documento contendo anotações e uma relação de supostos devedores.
“Verificou-se que “Evangelista” atuava como executor das cobranças a mando de “Roni”, sendo utilizado para localizar, pressionar e intimidar devedores. Há trechos em que são mencionados percentuais de juros e a exigência de pagamento acrescido, evidenciando a prática típica de empréstimos informais com cobrança abusiva”, apontou relatório da Polícia Civil.
Conversas em celular revelam cobranças
Relembre o caso
As investigações da Polícia Civil revelaram que Ana Clara de Oliveira e Ronivaldo Rocha dos Santos consumiam bebidas alcoólicas na noite do crime quando começaram uma discussão. Durante o desentendimento, Ronivaldo deixou o imóvel e, em seguida, Ana Clara atingiu o carro dele com uma pedra.
A briga continuou na rua e foi registrada por câmeras de segurança da região. As imagens mostram o suspeito perseguindo a jovem por alguns instantes antes de deixar o local. Cerca de 20 minutos depois, Ronivaldo retornou acompanhado do irmão, Evangelista Rocha dos Santos.
Segundo a apuração, ao chegarem à residência, Evangelista pulou o muro da casa enquanto Ronivaldo entregava a ele uma foice. Ainda conforme o processo, o suspeito se aproximou da janela e pediu que Ana Clara abrisse a porta para conversarem. Assim que entrou no imóvel, iniciou o ataque contra a vítima.

Ana Clara (Foto: Reprodução)
De acordo com os autos, o primeiro golpe provocou a amputação da mão direita da jovem. Em seguida, Ana Clara sofreu novos ataques que deixaram a mão esquerda parcialmente amputada, além de ferimentos graves em regiões como ombro, perna e cotovelo.
A vítima foi socorrida após vizinhos ouvirem os pedidos de ajuda e acionarem a polícia e o serviço de emergência. Ana Clara passou por uma cirurgia de reimplante das mãos ainda no mesmo dia e segue em recuperação médica.
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