A investigação sobre um homicídio brutal em Ceilândia (DF) ganhou novos desdobramentos após a prisão de um advogado de 34 anos, apontado como principal suspeito do crime. A apuração reúne relatos de moradores, evidências encontradas em um terreno na zona rural e um histórico de ocorrências envolvendo o investigado, enquanto a Polícia Civil trabalha para identificar a vítima e esclarecer a motivação do caso.

Crime em Ceilândia (Foto: Darcianne Diogo/CB/D.A Press)
Crime em Ceilândia (Foto: Darcianne Diogo/CB/D.A Press)

Um crime marcado por requintes de crueldade chocou moradores de Ceilândia, no Distrito Federal, no fim de 2025 e ainda segue sem uma conclusão. João Paulo Leandro Mendes, de 34 anos, é investigado pela Polícia Civil por suspeita de matar um homem, esquartejar a vítima, ocultar o corpo e atear fogo aos restos mortais.

Segundo a principal linha de investigação, o homicídio pode ter sido motivado por um suposto ritual de natureza satânica.

Crime em Ceilândia (Foto: Darcianne Diogo/CB/D.A Press)

Antes de se tornar alvo da investigação, João já despertava a curiosidade de moradores da região. Vizinhos afirmam que ele costumava exibir um comportamento considerado incomum, marcado por um sorriso constante e um olhar que, segundo relatos, transmitia sensação de intimidação.

Conforme apurado, João é advogado aposentado por invalidez e tem uma esposa, uma servidora aposentada do Tribunal de Contas. João adquiriu uma propriedade de grande extensão na região rural conhecida como Alexandre Gusmão, onde mantinha a criação de animais, entre eles porcos, galinhas, bodes e patos.

Segundo relatos obtidos pela reportagem Correio, moradores afirmam que, depois de receber o benefício de liberdade no dia 28 de fevereiro, o investigado teria retornado ao endereço e passado a fazer ameaças contra pessoas da comunidade.

Movimentação incomum despertou suspeitas

Moradores da região relataram que João Paulo costumava frequentar diariamente o terreno, sempre desacompanhado. Segundo vizinhos, ele afirmava seguir práticas ligadas a crenças espirituais, comportamento que já era conhecido por quem vivia nas proximidades.

No entanto, uma movimentação chamou a atenção da comunidade. Testemunhas afirmam ter visto o suspeito transportando pneus e provocando um incêndio em uma área da propriedade, atitude considerada incomum e que despertou desconfiança entre os moradores.

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A Polícia Civil foi acionada para verificar a situação. Ao chegar ao endereço, os agentes não encontraram o proprietário do terreno. Durante as buscas, porém, localizaram o corpo de um homem completamente carbonizado e com indícios de esquartejamento.

Além dos restos mortais encontrados no terreno, os policiais também localizaram, a poucos metros dali, partes do corpo, entre elas um pé, fragmentos da cabeça e ossos ainda sem identificação. Todo o material foi recolhido e encaminhado para perícia.

Suspeito foi preso

À frente das investigações, o delegado Fernando Fernandes, titular da 19ª Delegacia de Polícia (P Norte), informou que a vítima ainda não foi oficialmente identificada.

Durante as apurações em 2025, os indícios levantados até o momento apontam que se trata de um homem com aproximadamente 1,80 metro de altura, pele parda, cabelos ondulados e uma tatuagem nas costas, características que poderão auxiliar no reconhecimento.

Conforme uma nova denúncia, João Paulo Leandro Mendes, teria retornado ao local e estaria retirando partes do corpo para deixá-las às margens de uma estrada de terra, numa suposta tentativa de dificultar o trabalho da investigação e eliminar vestígios do crime.

Diante da situação, os agentes realizaram a prisão em flagrante do suspeito pelo crime de destruição de cadáver. Além disso, ele também foi indiciado por homicídio.

Esposa prestou depoimento

Ao prestar depoimento, João afirmou ser adepto do satanismo, mas negou qualquer participação no assassinato. Segundo sua versão, o fogo visto no terreno era utilizado apenas para queimar restos de animais.

Enquanto a perícia e os investigadores realizavam diligências no imóvel, um novo fragmento ósseo, com características compatíveis às de origem humana foi localizado na propriedade. O material foi recolhido e encaminhado para exames periciais.

Em depoimento à polícia, a esposa do investigado declarou que o marido é advogado aposentado em Santa Catarina e informou que ele recebeu diagnóstico de esquizofrenia e transtorno do espectro autista.

Histórico criminal

João Paulo Leandro Mendes Mendonça Carrera acumula um extenso histórico de ocorrências policiais. As apurações sobre a morte em um possível ritual satânico identificaram mais de 30 registros envolvendo o advogado ao longo dos últimos anos. Somente em 2025, ele já havia sido detido em outras duas ocasiões.

Segundo a investigação, uma das prisões ocorreu após denúncias de que o suspeito realizava práticas consideradas incomuns no Cemitério de Taguatinga, onde teria violado sepulturas e colocado objetos no interior de túmulos.

Meses depois, ele voltou a ser preso, desta vez por portar uma arma branca e um simulacro de arma de fogo. Além desses episódios, o histórico policial de João Paulo inclui outras ocorrências registradas anteriormente, entre elas um caso de ameaça investigado no ano passado.

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