A CPMI do INSS, instalada nesta quarta-feira, já é palco de intensa disputa política e de investigação sobre um esquema de descontos indevidos. Um dos principais alvos da comissão, por solicitação do senador Izalci Lucas (PL-DF), é José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão do presidente Lula.

CPMI do INSS pede quebra de sigilo do irmão do presidente Lula; entenda

A CPMI do INSS foi instalada nesta quarta-feira (20) e já acumula 213 requerimentos. A maioria dos pedidos partiu do senador Izalci Lucas (PL-DF), que solicitou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de nomes como o de José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico e irmão do presidente Lula, o ex-ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.

Entenda a conexão do irmão de Lula com a CPMI do INSS

A inclusão de Frei Chico na investigação está ligada à sua posição de vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi-FS).

O sindicato é investigado pela Polícia Federal (PF) por supostos descontos não autorizados nos contracheques de aposentados.

Em seu requerimento, Izalci Lucas argumenta que Frei Chico tem o “dever de esclarecer” o crescimento da arrecadação da entidade, que saltou de R$ 23,3 milhões em 2020 para R$ 154,7 milhões em 2024. O senador ainda aponta o que ele chamou de “grotesca anomalia administrativa” que teria beneficiado o Sindnapi, sugerindo um “tratamento privilegiado”.

A relevância de investigar o Sindnapi é reforçada por um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) que notou um aumento abrupto de filiados. Uma empresa ligada à família do presidente e da coordenadora jurídica do sindicato faturou R$ 4,1 milhões em comissões através dos descontos dos aposentados.

Disputa na Comissão: oposição comanda, Governo tenta blindar

A derrota do governo na disputa pelo comando da CPMI facilitou o avanço do requerimento para convocar Frei Chico. A presidência da comissão ficou com o senador Carlos Viana (Podemos-MG), que nomeou o deputado Alfredo Gaspar (União-AL) como relator, ambos da oposição. O governo, por sua vez, busca garantir a maioria na comissão para barrar a convocação do irmão do presidente e de outras oitivas que possam “constranger” o Palácio do Planalto.

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