A Copa do Mundo sempre foi sinônimo de festa para os brasileiros. Ruas enfeitadas, reuniões em família e a expectativa por mais um título mundial faziam parte da rotina de milhões de torcedores. Mas, para alguns, essa relação mudou ao longo dos anos.

Foto: Reprodução / FIFA.
Foto: Reprodução / FIFA.

A Copa do Mundo sempre foi sinônimo de festa para os brasileiros. Ruas enfeitadas, reuniões em família e a expectativa por mais um título mundial faziam parte da rotina de milhões de torcedores. Mas, para alguns, essa relação mudou ao longo dos anos.

Comandada por Telê Santana e liderada por craques como Zico, Sócrates e Falcão, a Seleção de 1982 é lembrada pelo aposentado, Osvaldo Inácio de Oliveira como a mais marcante de sua vida. Foto: Reprodução / FIFA.

É o caso do aposentado Osvaldo Inácio de Oliveira, de 62 anos. Torcedor desde a infância, ele lembra com saudosismo das seleções que, segundo ele, representavam o espírito do futebol brasileiro.

“Tínhamos muito orgulho da nossa Seleção. Os jogadores tinham comprometimento, amor à camisa e enchiam nossos olhos de alegria, mesmo nas derrotas.”

Entre tantas lembranças, a Copa de 1982 permanece viva na memória do aposentado. Apesar da eliminação para a Itália na chamada Tragédia do Sarriá, o time comandado por Telê Santana é considerado até hoje um dos mais admirados da história do futebol brasileiro.

Com craques como Zico, Sócrates, Falcão e Júnior, aquela equipe ficou marcada pelo futebol ofensivo e vistoso, mesmo sem conquistar o título.

“A Copa mais marcante da minha vida foi a de 1982. Aquele time encantou o mundo jogando futebol.”

O episódio de 1998 e o início do afastamento

Para Osvaldo, porém, o início do afastamento da Seleção aconteceu anos depois, na final da Copa do Mundo de 1998, marcada pelo episódio envolvendo Ronaldo Fenômeno. Horas antes da decisão contra a França, o atacante sofreu uma convulsão e, mesmo assim, entrou em campo na derrota por 3 a 0.

“Aquilo me desanimou muito. Eram 11 jogadores. Um adoeceu. A lógica era substituir esse atleta e o time continuar jogando com garra para buscar a vitória.”

Segundo o aposentado, aquele episódio gerou dúvidas sobre os bastidores da Seleção e marcou o começo de seu desencanto com o futebol.

O episódio envolvendo Ronaldo Fenômeno antes da final da Copa do Mundo de 1998 marcou o início do desencanto de Osvaldo com a Seleção Brasileira. Foto: Reprodução / FIFA.

O trauma do 7 a 1

O sentimento de frustração aumentou em 2014. Na semifinal disputada em Belo Horizonte, o Brasil sofreu a maior derrota de sua história em Copas do Mundo ao perder por 7 a 1 para a Alemanha. O resultado ficou marcado como um dos capítulos mais traumáticos do futebol nacional.

“A goleada da Alemanha acabou desmascarando a incompetência e a falta de garra dessa geração.”

Desde então, as eliminações nas edições seguintes e o desempenho irregular da equipe contribuíram para ampliar o distanciamento do torcedor.

Nem a estreia da Copa de 2026 chamou atenção

O contraste ficou evidente na estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2026, neste sábado (13). A Seleção empatou em 1 a 1 com Marrocos pelo Grupo C da competição. Enquanto milhões de brasileiros acompanhavam a partida, Osvaldo escolheu outro programa.

“Na hora do jogo do Brasil, eu simplesmente saí para fazer uma caminhada de 70 minutos. Voltei para casa e nem fiz questão de saber o resultado.”

Enquanto a Seleção Brasileira empatava com Marrocos na estreia da Copa do Mundo de 2026, Osvaldo preferiu fazer uma caminhada e não assistiu à partida. Foto: Darrian Traynor.

Para ele, a identificação entre torcida e Seleção também diminuiu ao longo dos anos.

“Já faz muito tempo que o torcedor se sente menos representado.”

Futebol moderno e interesses comerciais

O aposentado acredita que interesses comerciais e financeiros ganharam espaço excessivo dentro do futebol moderno.

“Tenho certeza de que patrocinadores e outros interesses influenciam muito.”

Segundo Osvaldo, o futebol atual também perdeu características que faziam a diferença dentro de campo.

“Hoje vemos jogadores muito novos ganhando notoriedade rapidamente e recebendo rios de dinheiro. O que mais importa para mim são jogadas bonitas, raciocínio rápido e belos gols.”

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Sem acreditar em mudanças significativas no cenário atual, ele mantém uma visão pessimista sobre o futuro da Seleção.

“Não acredito que vá acontecer alguma mudança. Esse sistema está enraizado há muito tempo.”

Um interesse que ficou para trás

Em meio ao clima de Copa que toma conta de parte do país, o aposentado afirma que já não se vê representado pela Seleção Brasileira e não acredita em mudanças no cenário atual do futebol.

Enquanto milhões de brasileiros acompanham mais uma edição da Copa do Mundo, Osvaldo diz que seu entusiasmo pelo torneio ficou no passado.

“Prefiro torcer para que acabem os maus-tratos aos animais e que exista mais consciência humana.”

A história de Osvaldo mostra que, embora a Copa do Mundo continue mobilizando multidões, parte dos torcedores já não vive o torneio com a mesma paixão de décadas atrás. 

Entre lembranças de grandes seleções, derrotas marcantes e desconfiança em relação aos rumos do futebol, o aposentado representa um sentimento compartilhado por brasileiros que, aos poucos, se afastaram da equipe que um dia foi motivo de orgulho nacional.

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