A defesa de Deolane Bezerra afirmou que a prisão preventiva da influenciadora durante a Operação Vérnix é “desproporcional” e reforçou a “absoluta inocência” dela. A investigação aponta que Deolane teria recebido valores ligados ao PCC por meio de uma transportadora usada para lavar dinheiro da facção.
A defesa da influenciadora e advogada Deolane Bezerra se pronunciou pela primeira vez após a prisão dela durante a Operação Vérnix, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e pela Polícia Civil para investigar um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
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Vídeo de Deolane com bolsa luxuosa viraliza após prisão (Foto: Redes Sociais)
Em nota divulgada nesta quinta-feira (21), os advogados afirmaram que as medidas adotadas pela Justiça foram “desproporcionais” e reforçaram a “absoluta inocência” da influenciadora.
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Defesa afirma que irá esclarecer acusações
Segundo a investigação, Deolane teria recebido valores provenientes da facção criminosa por meio de uma transportadora apontada pelas autoridades como braço financeiro da cúpula do PCC.
No comunicado, a defesa declarou que seguirá colaborando com a Justiça e sustentou que as atividades exercidas por Deolane são lícitas.
“Inicialmente ressaltamos a sua mais absoluta inocência, bem como, que os fatos serão devidamente esclarecidos por esta, em momento oportuno”, diz trecho da nota.
Os advogados também afirmaram confiar “no discernimento, na razoabilidade e na imparcialidade do Poder Judiciário”.
Justiça bloqueou R$ 27 milhões
Além da prisão preventiva, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões em nome da influenciadora. Segundo os investigadores, os valores apresentam indícios de lavagem de dinheiro e origem não comprovada.
A operação também atingiu integrantes ligados ao alto escalão do PCC, incluindo Marco Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder da facção criminosa.
Entre os alvos estão ainda Alejandro Camacho, irmão de Marcola; Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinhos do criminoso; além de Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado como operador financeiro do grupo.
Ao todo, a Justiça expediu seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão e bloqueios milionários de bens e ativos financeiros.
Investigação aponta esquema de lavagem com transportadora
As investigações apontam que uma transportadora sediada em Presidente Venceslau, no interior paulista, teria sido utilizada para ocultar patrimônio e movimentar recursos da facção criminosa.
Segundo os investigadores, Everton “Player” orientava a distribuição do dinheiro e indicava contas bancárias para destino dos valores.
As autoridades afirmam que mensagens, relatórios financeiros e dados extraídos de celulares apreendidos revelaram conexões financeiras entre integrantes da facção e empresas ligadas a Deolane.
Polícia cita movimentações incompatíveis
De acordo com o inquérito, a polícia identificou movimentações financeiras incompatíveis com a renda formal declarada pela influenciadora.
Os investigadores afirmam que houve circulação de valores milionários, depósitos sem origem esclarecida e aquisição de bens de alto padrão.
Entre 2018 e 2021, segundo a investigação, Deolane teria recebido mais de R$ 1 milhão em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil, prática conhecida como “smurfing”, utilizada para dificultar rastreamento financeiro.
A polícia também afirma que quase 50 depósitos realizados em empresas ligadas à influenciadora somaram cerca de R$ 716 mil.
Operação começou após apreensão em presídio
As investigações tiveram início em 2019, após apreensão de bilhetes e manuscritos na Penitenciária II de Presidente Venceslau.
Segundo a polícia, o material deu origem a sucessivos inquéritos que identificaram supostas ordens internas da facção, movimentações financeiras incompatíveis e utilização de empresas como estrutura de lavagem de dinheiro.
Durante uma das fases da investigação, a polícia apreendeu o celular de Ciro Cesar Lemos, apontado como operador central do esquema. A análise do aparelho teria revelado movimentações financeiras envolvendo empresas ligadas à facção e depósitos destinados a contas relacionadas a Deolane e Everton “Player”.
A influenciadora passou as últimas semanas em Roma, na Itália, e chegou a ter o nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol antes de retornar ao Brasil.
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