Uma das vítimas da mulher presa em Santa Catarina por fingir ser uma adolescente afirmou ter revivido momentos difíceis ao descobrir que outras pessoas teriam passado pela mesma situação. O caso ganhou repercussão nacional após a prisão de Amanda Maria, de 37 anos, acusada de usar identidade falsa para conquistar a confiança de famílias.
Uma das vítimas da mulher presa em Santa Catarina por fingir ser uma adolescente afirmou ter revivido momentos difíceis ao descobrir que outras pessoas teriam passado pela mesma situação. O caso ganhou repercussão nacional após a prisão de Amanda Maria, de 37 anos, acusada de usar identidade falsa para conquistar a confiança de famílias.

Amanda Maria foi presa em Joinville após investigação da Polícia Civil. Foto: Polícia Civil de Santa Catarina.
A mulher que acolheu a suspeita no Rio de Janeiro contou que acreditou na história apresentada por ela e chegou a oferecer moradia, alimentação e apoio emocional durante semanas. O relato veio à tona após a divulgação da investigação conduzida pela Polícia Civil de Santa Catarina.
Segundo as investigações, Amanda utilizava nomes falsos e alegava ser uma adolescente com autismo que teria fugido de uma rotina de abusos. Em Santa Catarina, ela se apresentava como “Gabriele” e viveu por cerca de 14 meses com uma família de Joinville.
Já no Rio de Janeiro, em 2023, ela se identificava como “Duda” e dizia ter apenas 12 anos. A história sensibilizou pessoas ligadas a projetos sociais, que decidiram acolhê-la.
Rotina da suspeita no Rio de Janeiro
A nutricionista Renata Magalhães afirmou que a suspeita aparentava ser mais jovem e mantinha um comportamento infantilizado durante toda a convivência.
“A gente não olhava para a mulher, mas para a história que ela contava”, relatou à BBC News Brasil.
Segundo Renata, a suposta adolescente pedia mamadeira, chupeta e demonstrava dependência emocional constante. A vítima afirma que chegou a se apegar à jovem por acreditar que estava ajudando alguém em situação de vulnerabilidade.
“Eu dei carinho, afeto, comida. Não tinha como desconfiar”, afirmou.
De acordo com a investigação, a suspeita também alegava ter autismo e contava histórias de abusos sofridos na infância para justificar sua situação. A mulher já foi associada a casos semelhantes em estados como São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Rio Grande do Sul.
Descoberta da farsa
Após ser presa no Rio de Janeiro em 2023 e liberada em audiência de custódia, Amanda voltou a aparecer em outro estado utilizando uma nova identidade. Segundo as investigações, ela passou a se apresentar como “Gabriele” e construiu uma nova história para conquistar a confiança de pessoas em Santa Catarina.
De acordo com a Polícia Civil, a mulher procurou inicialmente uma igreja em Joinville e relatou uma suposta trajetória marcada por abandono e violência. Sensibilizados, membros da comunidade religiosa passaram a ajudá-la.
Pouco tempo depois, uma família decidiu acolhê-la em casa acreditando estar diante de uma adolescente em situação de vulnerabilidade. A convivência durou cerca de 14 meses e, durante esse período, a suspeita manteve o comportamento infantilizado e a versão de que tinha autismo.
As suspeitas começaram a surgir após uma parente da família desconfiar da história. Ao pesquisar casos semelhantes na internet, ela encontrou registros de uma ocorrência praticamente idêntica no Rio de Janeiro. A partir da troca de informações entre as polícias dos estados, os investigadores confirmaram que se tratava da mesma mulher.
Suspeita permanece presa
A prisão em flagrante realizada em Joinville foi convertida em preventiva pela Justiça. Amanda permanece detida enquanto as investigações continuam.
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A defesa solicitou a realização de um exame de sanidade mental, pedido que foi aceito pela Justiça. O resultado deverá auxiliar na definição dos próximos passos do processo.
Caso é comparado ao filme ‘A Órfã’
O caso chamou atenção pela semelhança com o enredo do filme A Órfã (2009), produção que retrata uma mulher adulta que se passa por uma criança e engana uma família adotiva.
Assim como na ficção, a suspeita teria construído uma identidade infantil ao longo do convívio com a família, adotando comportamentos, falas e rotinas típicas de uma adolescente para sustentar a farsa.
No filme, a personagem utiliza manipulação emocional e estratégias psicológicas para ganhar a confiança da família, cenário que, segundo relatos da investigação, encontra paralelos no caso real, especialmente na forma como a mulher teria mantido o disfarce por cerca de 14 meses.
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