O jornalista e ex-seminarista Brendo Silva protocolou uma denúncia no Ministério Público de São Paulo contra o frei Gilson, acusando o religioso de reproduzir discursos considerados homofóbicos em pregações, entrevistas e publicações nas redes sociais. Autor do livro A Vida Secreta dos Padres Gays, Brendo afirma que as declarações utilizam termos ultrapassados e associam a homossexualidade a conceitos negativos.

O ex-seminarista Brendo Silva e Frei Gilson (Foto: Reprodução)
O ex-seminarista Brendo Silva e Frei Gilson (Foto: Reprodução)

O jornalista e ex-seminarista Brendo Silva, autor do livro A Vida Secreta dos Padres Gays, apresentou uma denúncia ao Ministério Público de São Paulo contra o frei Gilson. A iniciativa foi motivada por declarações públicas do religioso que, segundo o denunciante, teriam conteúdo homofóbico.

Veja mais em notícias

O ex-seminarista Brendo Firmino da Silva e a capa do livro a ser lançado por ele — Foto: Fotos de divulgação

De acordo com Brendo, o sacerdote vem reproduzindo, em homilias, entrevistas e nas redes sociais, discursos que tratam a homossexualidade com expressões consideradas ultrapassadas, como “homossexualismo”, além de vinculá-la a conceitos como “desordem”, “contrariedade à lei natural” e “depravação grave”.

Quem é Breno Silva?

Após passar sete anos dentro de seminários da Igreja Católica, Brendo Silva, de 33 anos, afirma que decidiu romper com a religião e hoje se define como agnóstico. A experiência vivida nos bastidores da instituição serviu de base para o livro A Vida Secreta dos Padres Gays, lançado pela editora Matrix, obra que vem provocando forte repercussão ao abordar temas considerados tabu dentro da Igreja.

Atualmente pedagogo e pós-graduado em sexologia e religiosidade, Brendo relata que passou a receber ameaças após expor situações envolvendo a intimidade de integrantes do clero no Brasil, ainda que sem revelar nomes. Em entrevista ao programa da coluna GENTE, ele contou episódios que, segundo afirma, viveu durante e após o período religioso.

Brendo Silva revelou que chegou a viver na Europa durante o período em que seguia a formação religiosa e tinha перспективa de construir uma trajetória estável dentro da Igreja Católica. No entanto, segundo ele, os conflitos internos relacionados à própria sexualidade fizeram com que decidisse abandonar definitivamente a vida no seminário.

Leia também:

Motivo para deixar a Igreja

O ex-seminarista contou que, durante anos, tentou reprimir os próprios sentimentos por acreditar que precisava mudar quem era. De acordo com Brendo, ele recorreu a diferentes práticas religiosas e espirituais na tentativa de “eliminar” sua orientação sexual, incluindo jejuns, penitências e métodos ligados à chamada “cura gay”. Ainda assim, afirmou que o sofrimento emocional continuava presente.

Com o passar do tempo, Brendo disse ter entendido que negar sua identidade apenas aumentava o conflito psicológico. A partir dessa reflexão, decidiu deixar o ambiente religioso ao perceber que não queria levar uma vida dupla. Segundo ele, muitos integrantes do clero mantinham discursos rígidos publicamente, enquanto viviam comportamentos completamente diferentes longe das igrejas.

O autor também afirmou que presenciou colegas seminaristas e padres frequentando boates, saunas e outros ambientes de forma reservada, realidade que, segundo ele, contrastava com a postura defendida oficialmente pela instituição religiosa.

Entenda a denúncia

Um ex-noviço apresentou uma representação ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) contra o Frei Gilson da Silva Pupo Azevedo, acusando o religioso de promover discursos considerados ofensivos e discriminatórios contra pessoas LGBT+ e mulheres.

Entre os materiais anexados à denúncia está um vídeo em que o religioso comenta a posição da Igreja Católica sobre o tema, afirmando que relações entre pessoas do mesmo sexo não seriam permitidas segundo a interpretação apresentada por ele.

Na avaliação do ex-noviço, declarações desse tipo ajudam a reforçar estigmas contra a população LGBTQIA+ e contribuem para a reprodução de discursos de inferiorização. Ele afirma que falas que associam a homossexualidade a doença ou desvio, além de posicionamentos que colocam a mulher em condição secundária, não deveriam ser tratadas como algo aceitável.

O denunciante também destaca o contexto brasileiro, marcado por elevados índices de feminicídio e de violência contra pessoas LGBT+, ressaltando que manifestações desse teor agravam um cenário já considerado preocupante.

Leia mais no Bacci Notícias:

Vídeos curtos

Mais lidas