. Com o avanço da idade, o organismo passa por mudanças que reduzem a quantidade de água no corpo e diminuem a sensação de sede, dificultando a hidratação adequada. Fatores como calor intenso, uso de diuréticos e baixa ingestão de líquidos agravam o quadro. Especialistas alertam que a condição pode trazer complicações sérias, como infecções, alterações na pressão arterial e até necessidade de internação, exigindo atenção redobrada, principalmente em períodos de altas temperaturas.

Ana Paula e seu pai (Reprodução/Redes Sociais)
Ana Paula e seu pai (Reprodução/Redes Sociais)

Idosos acima de 60 anos começam a ter uma desidratação corporal e começa a aparecer sintomas como: olheiras, boca ressecada, fadiga intensa, tontura e até dificuldade na fala podem ser facilmente confundidos com sinais iniciais de doenças neurológicas, como o Alzheimer.

No entanto, em muitos casos, esses indícios estão relacionados a um quadro de desidratação severa, uma condição que afeta o funcionamento de todo o organismo e pode levar a alterações importantes, como queda da pressão arterial, aceleração dos batimentos cardíacos e episódios de confusão mental.

No caso do pai da jornalista e BBB, Ana Paula Renault, o ex-deputado federal Gerardo Henrique Machado Renault, de 96 anos, precisou ser internado em Belo Horizonte, na ultima sexta-feira (03), após apresentar um quadro de infecção urinária.

A condição veio acompanhada de episódios de confusão mental, um sintoma relativamente comum entre pacientes idosos nessas circunstâncias. Com a idade avançada, o estado de saúde acaba exigindo mais atenção e acompanhamento médico.

“Ele foi internado por causa de uma desidratação, o que acaba sendo normal na idade dele. Ele tem 96 anos, então acabou ficando internado por conta de cuidado mesmo, por conta da idade, mas ele está super estável, está bem”, disse a assessoria.

Corpo passa por mudanças

Com o envelhecimento, o corpo passa por mudanças naturais que favorecem a perda de líquidos. A pele se torna mais fina, há redução da massa muscular e a quantidade de água no organismo diminui significativamente. Fatores como variações de temperatura e o uso de determinados medicamentos, especialmente os diuréticos, também contribuem para agravar esse cenário.

“A desidratação em idosos é mais comum do que se imagina e pode ter consequências graves, como infecções urinárias, alterações na pressão e alterações neurológicas, que podem inclusive levar a internações”, alerta o médico Álvaro Modesto, do Hospital Cidade do Sol. Segundo ele, o envelhecimento natural do corpo diminui a sensação de sede e a capacidade de reter água. “Mesmo com baixos níveis de líquidos, o idoso pode não sentir vontade de beber água”, explica.

Outro ponto de atenção está na diminuição da sensibilidade do mecanismo que controla a sede. Com o avanço da idade, o cérebro passa a perceber menos a necessidade de ingestão de líquidos, o que dificulta a reposição adequada. Além disso, ocorre uma queda na eficiência dos hormônios responsáveis por proteger o corpo em situações de desidratação, tornando o organismo ainda mais vulnerável.

Atenção redobrada com a desidratação

Períodos de calor intenso e exposição prolongada ao sol aumentam o risco de desidratação em todas as idades, mas exigem atenção redobrada quando se trata da população idosa. Isso ocorre porque, com o avanço da idade, há maior fragilidade nutricional e imunológica, o que torna o organismo mais suscetível à perda de líquidos e às suas consequências.

A desidratação acontece quando o corpo elimina mais líquidos do que consegue repor, provocando também desequilíbrio de sais minerais e eletrólitos. Embora a baixa ingestão de água seja a causa mais comum, o quadro pode se agravar em situações como exposição excessiva ao calor, episódios de diarreia ou uso frequente de medicamentos diuréticos.

Nos idosos, os sinais podem se manifestar de forma mais ampla e, muitas vezes, menos evidente. Entre os sintomas estão confusão mental, cansaço, dores no corpo, câimbras, tontura, perda de apetite, fraqueza, redução do volume urinário, urina mais escura, além de boca seca e diminuição da elasticidade da pele.

Outro fator importante é que o envelhecimento provoca alterações na composição corporal, com redução da massa magra e aumento da gordura. Como a água está mais presente nos músculos do que no tecido adiposo, essa mudança contribui para a diminuição da quantidade total de líquidos no organismo, favorecendo a desidratação.

Saiba como se prevenir

Para manter uma hidratação adequada é essencial, especialmente entre os idosos, e algumas medidas simples podem fazer toda a diferença no dia a dia.

Especialistas recomendam oferecer líquidos com frequência, mesmo quando não há manifestação de sede, priorizando opções como água, água de coco, sucos naturais e chás. Além disso, incluir no cardápio alimentos com alto teor de água, como: melancia, melão, abacaxi, laranja, pepino e sopas, também contribui para a reposição hídrica.

Criar uma rotina é outra estratégia importante. Deixar garrafas ou copos sempre ao alcance e estabelecer horários fixos para ingestão de líquidos ajuda a garantir um consumo mais regular ao longo do dia. Acompanhar a quantidade ingerida também é fundamental para evitar déficits que podem passar despercebidos.

Em situações mais graves, é necessário redobrar a atenção. Sintomas como queda significativa da pressão arterial, episódios de desmaio ou confusão mental exigem avaliação médica imediata. A prevenção, nesse contexto, é considerada uma medida simples, mas decisiva para preservar a saúde e evitar complicações mais sérias.

Um senhor de idade bebendo água (Foto: Freepik)

Hidratação deve ser distribuída ao longo do dia

A água deve ser incentivada entre os idosos, mesmo na ausência de sede. De acordo com a nutricionista Karina Pfrimer, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (SP), o envelhecimento reduz a percepção natural de necessidade de líquidos, tornando essencial a criação de uma rotina de hidratação ao longo do dia.

O Ministério da Saúde recomenda consumir água em diferentes momentos, como ao acordar, entre as refeições e sempre que possível, transformando o hábito em algo automático no cotidiano.

Apesar de muitos idosos relatarem incômodo com o aumento das idas ao banheiro, a orientação é manter a ingestão adequada, já que o organismo tende a se adaptar com o tempo. Embora bebidas como sucos sejam aceitas, a água continua sendo a melhor opção para garantir uma hidratação eficiente.

Para aqueles que têm dificuldade em beber água com frequência, uma alternativa é apostar na chamada água saborizada. A prática consiste em adicionar frutas, como limão e laranja, ou ervas, como hortelã, tornando o consumo mais agradável e estimulando a ingestão.

Outro benefício importante da hidratação correta está na prevenção da constipação intestinal, problema comum na terceira idade. A ingestão de fibras, frequentemente recomendada para o bom funcionamento do intestino, deve ser acompanhada por um consumo adequado de líquidos. Segundo a especialista, manter esse equilíbrio ao longo do dia é fundamental para o funcionamento do organismo e para evitar quadros de desidratação.

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