O Brasil é o segundo país que mais realiza cirurgias bariátricas no mundo, com alta de 84,3% entre 2015 e 2023, segundo a ANS. Especialistas apontam que, após a perda de peso, cirurgias reparadoras podem ser necessárias devido à flacidez e impactos funcionais.
No dia 4 de março, quando o mundo discute obesidade como uma das principais questões de saúde pública global, um dado chama atenção: o Brasil ocupa a segunda posição no ranking mundial de cirurgias bariátricas, atrás apenas dos Estados Unidos. O volume de procedimentos realizados anualmente coloca o país no centro de um debate que vai além da balança e dos índices metabólicos.
A cirurgia bariátrica é reconhecida como tratamento eficaz para obesidade grave e doenças associadas, como diabetes tipo 2 e hipertensão. Trata-se de uma intervenção metabólica que modifica mecanismos hormonais e padrões de absorção, promovendo perda de peso significativa. Mas a transformação corporal não se encerra com a redução de gordura.
Segundo o Painel de dados do TISS (D-TISS), da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o Brasil saltou de 28,4 mil cirurgias realizadas no ano de 2015, para 52,4 mil em 2023, com alta correspondendo a 84,3% no período.
Dia Mundial da Obesidade
No entanto, após perdas expressivas de peso, especialmente quando rápidas, o corpo pode enfrentar alterações estruturais importantes, principalmente na pele. A cirurgiã plástica Dra. Thamy Motoki, especialista em cirurgias de contorno corporal, que atua na Revion International Clinic, especializada em atendimento de pacientes nacionais e estrangeiros, explica que a flacidez não representa falha do tratamento, mas consequência biológica previsível.
“A cirurgia resolve o componente metabólico da obesidade, mas a pele tem um limite de retração. Quando há grande distensão ao longo do tempo, o tecido nem sempre acompanha a nova composição corporal”, afirma.
Segundo a médica, o perfil dos pacientes que buscam cirurgia plástica após a bariátrica revela uma preocupação que ultrapassa a estética. “Não é apenas sobre aparência. Muitos relatam desconforto físico, dificuldade para praticar exercícios, irritações cutâneas e impacto na autoestima. A cirurgia reparadora faz parte de uma reconstrução corporal e funcional”, explica.

(Foto: Freepik)
Flacidez como consequência das cirurgias
A elasticidade da pele depende da integridade das fibras de colágeno e elastina, que se estiram durante períodos prolongados de ganho de peso. Quando a perda é acentuada, principalmente após cirurgia, pode haver excesso de tecido e perda de sustentação. Esse fenômeno não diminui o sucesso metabólico do procedimento, mas exige compreensão realista das etapas seguintes.
No contexto do Dia Mundial da Obesidade, o ranking brasileiro reforça a dimensão do desafio. A bariátrica representa um avanço importante na saúde pública, mas evidencia que o processo de transformação corporal é multifatorial. Emagrecer trata o metabolismo. Reconstruir contorno e firmeza envolve outra lógica. Entender essa diferença é fundamental para alinhar expectativa, saúde e qualidade de vida.