A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou na terça-feira (20) que a ofensiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para anexar a Groenlândia pode se agravar.

Foto de Weimin Chu | 2019 National Geographic Travel Photo Contest
Foto de Weimin Chu | 2019 National Geographic Travel Photo Contest

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou na terça-feira (20) que a ofensiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para anexar a Groenlândia pode se agravar. Em discurso no Parlamento dinamarquês, a premiê declarou que “o pior ainda está por vir” e destacou que há limites inegociáveis na relação entre os países.

Segundo Frederiksen, apesar de haver espaço para diálogo em áreas como política, economia, segurança e investimentos, valores fundamentais não podem ser colocados em negociação. Ela citou soberania, identidade nacional, fronteiras e democracia como princípios inegociáveis.

“Capítulo sombrio”, diz primeira-ministra

Durante o pronunciamento, a premiê classificou o momento como um período delicado nas relações internacionais. Para ela, a investida americana vai além da Dinamarca e da Groenlândia e reflete uma disputa maior sobre a ordem mundial.

“É um capítulo sombrio no qual nos encontramos e podemos, infelizmente, estar em uma situação em que o pior não ficou para trás, mas ainda está à nossa frente”, afirmou Frederiksen, ao reforçar a importância da cooperação com aliados da Otan.

Groenlândia admite cenário de uso da força

O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, também se pronunciou sobre as ameaças feitas pelo presidente norte-americano. Segundo ele, embora o uso de força militar não seja o cenário mais provável, não pode ser descartado.

“Trump deixou claro que essa possibilidade está na mesa. Por isso, precisamos estar preparados para todos os cenários”, declarou Nielsen, acrescentando que o governo mantém diálogo constante com a União Europeia, a Otan e outros aliados internacionais.

Escalada militar e reforço europeu

Diante do aumento das tensões, tropas europeias continuam chegando à Groenlândia para reforçar a defesa do território. O Exército dinamarquês divulgou imagens do desembarque de militares em Nuuk e de treinamentos aéreos com caças F-35 na região sudeste da ilha. A França também confirmou o envio de soldados.

Países como Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Holanda e Suécia iniciaram o envio de tropas desde a última quinta-feira (15) e planejam exercícios militares conjuntos na região.

Tarifaço e pressão econômica

No sábado (17), Trump anunciou a imposição de tarifas de 10% a oito países europeus que se posicionaram contra o plano de anexação da Groenlândia. A medida, prevista para entrar em vigor em 1º de fevereiro de 2026, elevou ainda mais a tensão diplomática, com líderes europeus sinalizando possíveis retaliações econômicas.

Na semana passada, autoridades dos Estados Unidos se reuniram com representantes da Dinamarca e da Groenlândia, mas o encontro terminou sem avanços. Segundo fontes diplomáticas, permanece um “desacordo fundamental” sobre o futuro da ilha.

Disputa estratégica no Ártico

Trump defende que a Groenlândia é estratégica para os interesses de segurança dos EUA, especialmente por sua posição no Ártico e pela proximidade com o chamado “Domo de Ouro”, projeto de escudo antimísseis defendido pelo presidente americano. Embora os EUA já mantenham uma base militar no território, a presença havia sido reduzida nos últimos anos.

Agora, com a escalada das ameaças, a disputa pela ilha voltou ao centro do cenário internacional e coloca à prova a coesão da Otan e as relações entre Estados Unidos e Europa.

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