A delação do banqueiro Daniel Vorcaro virou alvo de disputa entre PF e PGR, com preferência do STF pela condução pela Polícia Federal. O caso envolve desconfiança institucional e pode atingir figuras relevantes do cenário político e jurídico.
As negociações para uma possível delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro têm sido marcadas por tensão e desconfiança entre as autoridades. Nos bastidores, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República disputam o protagonismo na condução do acordo.
Segundo o Metrópoles, Vorcaro já firmou termos de confidencialidade com ambas as instituições, mas apenas uma delas deverá assumir o controle da eventual colaboração.
Preferência no STF
No Supremo Tribunal Federal, o cenário também influencia a decisão. O ministro André Mendonça, relator do Caso Master, demonstra preferência para que a delação seja conduzida pela Polícia Federal.
A avaliação no gabinete do magistrado é de que há uma relação de maior proximidade e alinhamento com os investigadores responsáveis pelo caso.
Desconfiança em relação à PGR
Outro fator que pesa na disputa é a desconfiança de integrantes da PF e do próprio STF em relação à atuação da PGR. Isso ocorre por conta da proximidade atribuída ao procurador-geral Paulo Gonet com ministros da Corte que são citados no escândalo envolvendo o Banco Master.
Nos bastidores, há receio de que essa relação possa interferir na condução do acordo, eventualmente suavizando o conteúdo da delação para determinados envolvidos.
Episódio anterior aumenta tensão
A desconfiança aumentou após um episódio recente. Em janeiro, a PGR recusou uma proposta de colaboração do empresário Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”.
Ele teria prometido detalhar um esquema de fraudes no setor de combustíveis que poderia atingir figuras influentes do chamado Centrão e até integrantes do Judiciário.
Transferência faz parte da negociação
Na quinta-feira (19), Vorcaro foi transferido da Penitenciária Federal de Brasília para a superintendência da Polícia Federal. A mudança faz parte das tratativas em curso para viabilizar a delação premiada.
Segundo apuração, a decisão teve relação direta com negociações conduzidas junto ao gabinete de André Mendonça.
Exigência de delação completa
O ministro do STF já teria sinalizado à defesa do banqueiro que só aceitará um acordo de colaboração que seja integral, sem proteção a qualquer pessoa envolvida.
A exigência inclui, inclusive, a possibilidade de citações a autoridades de alto escalão, o que amplia a tensão em torno do caso.
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