Nesta semana, em Nerópolis, um bebê nasceu após a mãe ter usado DIU por dois anos. O caso viralizou nas redes sociais porque, segundo postagens, a criança teria vindo ao mundo “com o dispositivo na mão”. Para completar o contexto, o pai já estava na fila para realizar uma vasectomia.

Do bebê 'com DIU na mão' ao dispositivo “andando” pelo corpo (Foto: Reprodução/Redes sociais)
Do bebê 'com DIU na mão' ao dispositivo “andando” pelo corpo (Foto: Reprodução/Redes sociais)

Nesta semana, em Nerópolis, um bebê nasceu após a mãe ter usado DIU por dois anos. O caso viralizou nas redes sociais porque, segundo postagens, a criança teria vindo ao mundo “com o dispositivo na mão”. Para completar o contexto, o pai já estava na fila para realizar uma vasectomia.

Outro caso recente envolveu a influenciadora Sofia Santino, que relatou em suas redes sociais que seu DIU estaria “caminhando” pelo corpo. A história chamou atenção para uma complicação real, embora incomum: a migração do dispositivo intrauterino para fora do útero.

Os casos reacenderam dúvidas sobre a eficácia do método contraceptivo. Especialistas explicam que, embora raros, deslocamentos e perfurações podem ocorrer e exigem acompanhamento médico constante.

Segundo o ginecologista e obstetra Dr. Domingos Mantelli, entrevistado pela portal BacciNotícias, essa possibilidade existe:

O DIU, ao ser colocado, em algumas situações pode até perfurar o útero e entrar na cavidade abdominal. Muitas vezes, quando vamos tentar localizá-lo, ele está na cavidade abdominal, o que é um risco, porque essa perfuração pode levar à hemorragia e quadros graves, onde às vezes até uma cirurgia pode ser necessária”, explica.

O especialista destaca que há diferença entre o deslocamento dentro do útero e a perfuração uterina:

“Quando o DIU somente se desloca ou migra do local original dentro do próprio útero, o risco maior é ele não ter ação necessária e a mulher poder engravidar. Agora, se ele perfurar o fundo uterino, aí sim as consequências podem ser maiores, como um quadro chamado abdômen agudo, onde é preciso fazer uma cirurgia para retirá-lo”, afirma.

Para evitar complicações, Mantelli recomenda acompanhamento médico: “Os exames feitos para termos certeza de que o DIU está no local adequado são, geralmente, ultrassonografias. O próprio ultrassom transvaginal consegue identificar a localização do DIU”, orienta o médico.

Eficácia comprovada, mas não absoluta

Apesar de casos que chamam atenção, o DIU continua entre os métodos contraceptivos mais eficazes. Estudos indicam que os DIUs de cobre e hormonais têm taxas de falha muito baixas. Uma revisão publicada no PubMed aponta que o DIU de cobre TCu380 tem taxa cumulativa de gravidez inferior a 2% em 12 anos, enquanto o dispositivo hormonal apresenta cerca de 1% em sete anos de uso. Um estudo na Tanzânia encontrou apenas duas falhas a cada 1.000 usuárias em um ano de uso do DIU inserido no pós-parto.

Dados do Guttmacher Institute também mostram que, em uso típico, a taxa mediana de falha é de 1,4% para DIUs, contra 5,5% para pílulas orais e 5,4% para preservativos masculinos. Implantes subdérmicos apresentam 0,6% de falha, enquanto métodos tradicionais, como o coito interrompido, chegam a 13–14% de insucesso em 12 meses.

Não existe método 100% eficaz, mas o DIU está entre os mais confiáveis. É um método muito seguro, mas pode falhar em raras situações, especialmente se não houver acompanhamento médico para verificar o posicionamento”, conclui Mantelli.

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