Uma investigação exibida pelo Fantástico revelou como milícias e facções criminosas passaram a controlar a venda de produtos básicos em comunidades do Rio de Janeiro. O caso do comerciante Rafael Oliveira Braga, morto após se recusar a comprar farinha de trigo de uma distribuidora ligada ao esquema, é apontado pela polícia como um dos exemplos mais graves da violência utilizada para manter o domínio sobre o mercado.

Rafael Oliveira Braga (Foto: reprodução)
Rafael Oliveira Braga (Foto: reprodução)

A Polícia Civil do Rio de Janeiro aponta que a morte do comerciante Rafael Oliveira Braga, ocorrida em março do ano passado, pode estar ligada à atuação de grupos criminosos que controlam a venda de produtos em áreas dominadas por milícias e facções na Zona Oeste da capital.

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Farinha de trigo (Foto: reprodução)

Segundo as investigações, Rafael teria sido executado após se recusar a adquirir farinha de trigo de fornecedores indicados pelo esquema criminoso. O comerciante foi morto em frente à própria padaria, em um caso considerado pelas autoridades como um dos exemplos mais extremos da violência usada para impor o monopólio da distribuição de mercadorias nessas regiões.

A polícia afirma que comerciantes locais são frequentemente pressionados a comprar produtos apenas de empresas associadas aos grupos criminosos. Dois suspeitos apontados como integrantes da milícia já foram indiciados pelo assassinato, enquanto as investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos.

Comerciantes denunciam controle da venda

Reportagem exibida pelo Fantástico revelou o crescimento de um esquema de exploração econômica comandado por grupos criminosos em comunidades do Rio de Janeiro.

De acordo com comerciantes e autoridades, produtos básicos passaram a ser utilizados como fonte de lucro para milícias e facções, que controlam desde a escolha dos fornecedores até a distribuição das mercadorias.

Donos de padarias relataram que perderam a autonomia para decidir onde comprar farinha de trigo e passaram a ser obrigados a adquirir o produto de distribuidoras ligadas aos criminosos.

Segundo os relatos, além da imposição dos fornecedores, os comerciantes também recebem cargas maiores do que as solicitadas e são forçados a aceitar a mercadoria, mesmo sem necessidade.

As investigações apontam que quem se recusa a seguir as determinações pode sofrer ameaças, intimidações e até represálias violentas. Para a polícia, o assassinato do comerciante Rafael Oliveira Braga evidencia como o domínio sobre mercados considerados legais se transformou em uma importante fonte de arrecadação para organizações criminosas.

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Polícia Civil realiza operação contra empresas

Na última quarta-feira (03), a Polícia Civil realizou uma operação contra empresas suspeitas de ligação com o esquema de controle ilegal da venda de produtos em comunidades do Rio de Janeiro. Ao todo, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em imóveis relacionados aos investigados.

Durante as ações, os agentes encontraram irregularidades graves. Em um dos galpões vistoriados, produtos vencidos estavam armazenados para comercialização, o que levou à prisão em flagrante de um homem. Já em outro endereço, a polícia identificou condições insalubres, com alimentos guardados próximos a fezes de animais.

Segundo os investigadores, o dinheiro obtido com o esquema seria utilizado para abastecer o chamado “caixa de guerra” das organizações, responsável pela compra de armas e pela manutenção do controle territorial nas comunidades.

“Eu te confesso, eu perdi a vontade de trabalhar. Em breve, se Deus quiser, eu passo minha loja. Você trabalha para eles, vira funcionário deles”, afirmou uma das vítimas ouvidas pelo Fantástico.

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